Estiagem provoca perda de R$ 484 milhões na safra do Paraná
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de janeiro de 2000
Por Alda do Amaral Rocha 
São Paulo, 26 (AE) - Os prejuízos com a estiagem que afetou a safra de grãos do Paraná são estimados em R$ 484,058 milhões, de acordo com avaliação do Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura do Estado. O cálculo do prejuízo se baseia na cotação média dos produtos agrícolas no Paraná no último dia 24 de janeiro. O acompanhamento do Deral, finalizado no dia 21 passado, estima uma quebra de 11% na produção de grãos (amendoim, arroz, café, feijão, milho e soja) na safra 99/2000, o equivalente a 1,604 milhão de t. A produção inicial para a safra era estimada em 14,647 milhões de t de grãos, numa área de cultivo de 5,041 milhões de hectares, e agora está em 13,042 milhões de t.
A agrônoma Vera Zardo, do Deral, destaca que a avaliação ainda é preliminar, e que os técnicos do departamento continuam acompanhando as condições das lavouras. Um quadro mais claro da safra deve estar disponível à medida em que a colheita avançar, diz ela. Segundo Vera, as regiões produtoras do Paraná continuam a registrar chuvas localizadas e ainda há "bolsões" de estiagem.
O relatório do Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura indica uma quebra de 14% na produção de milho do Paraná na safra 99/2000 por causa da seca. Inicialmente, a produção era estimada em 6,077 milhões de t para uma área de 1,545 milhão de hectares, e no último levantamento caiu para 5,224 milhões de t, o que significa uma quebra de 852 mil t. Os prejuízos com milho somam R$ 170,511 milhões.
As regiões produtoras de milho do Paraná mais afetadas pela estiagem foram o centro-oeste e o norte, onde houve quebra de 33% e 32%, respectivamente. No norte, as regiões Cornélio Procópio e Jacarezinho tiveram quebra de 40% e na de Londrina, de 51%.
Na região de Campo Mourão, no centro-oeste, a quebra foi de 33%. Na região oeste do Paraná, a quebra para o milho é estimada em 25%. Na região de Toledo, a quebra foi de 51%, segundo o Deral. O sudoeste do Paraná, onde está concentrada 43% da produção de milho do Estado, a quebra foi de 8%, uma vez que a região foi menos castigada pela estiagem, de acordo com a agrônoma Vera Zardo, do Deral. A região compreende as áreas de cultivo de Curitiba, Guarapuava, Irati, Ponta Grossa e União da Vitória.
Soja - A safra de soja do Paraná em 99/2000 deve ter uma quebra de 593.966 t, segundo o relatório do Deral divulgado hoje. A estimativa inicial era de uma produção de 7,745 milhões de t numa área de de 2,824 milhões de hectares. No último levantamento, a expectativa para a produção caiu para 7,151 milhões de t. De acordo com Vera Zardo, a soja vem sofrendo com a falta de chuvas desde o início do plantio no Estado, e a região mais afetada foi o norte. Lá a quebra foi de 19%, o equivalente a 410 mil t da produção na região.
No oeste, a quebra foi de 7%, um volume de 158 mil t da produção estimada para a região. No noroeste, a quebra também é de 7% e no sudoeste, de 2%. O prejuízo com a quebra da soja no Paraná está estimado em R$ 157,994 milhões, de acordo com o Deral.
O levantamento confirmou a estimativa de uma quebra de 24% para a safra de feijão das águas no Paraná. Agora, a previsão é de uma produção de 353.912 t ante uma estimativa inicial de 467.836 t. De acordo com Vera, além da seca, o feijão também foi prejudicado pelas baixas temperaturas no ano passado. O prejuízo financeiro com a quebra no feijão está estimado em R$ 45,569 milhões. As maiores quebras para o feijão foram na regiões oeste (51%), noroeste (48%) e centro-oeste (40%). O sudoeste teve quebra de 38% e no sul, onde estão concentradas 52% da produção, a perda foi de 10%.
No relatório divulgado hoje, o Deral também estimou uma queda de 30% na área estimada para o plantio do feijão da seca, que deve cair para 112 mil hectares. Segundo Vera, os preços baixos do produto estão desestimulando o plantio no Estado.
Café - O Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura do Paraná também confirmou a quebra estimada de 20% para a safra 99/2000 de café no Estado, o equivalente a 574 mil sacas. A estimativa inicial era de uma produção de 170.129 t de café numa área de 143.709 hectares. O último levantamento indica uma produção de 135.672 t. Os prejuízos com a quebra do café somam R$ 106,816 milhões, segundo cálculos do Deral.
O departamento também estimou uma quebra de 5% para o arroz e de 12% para o amendoim. A estimativa inicial para o arroz era de uma produção de 181.979 t e agora a previsão é de 172.600 t. Para o amendoim, a projeção inicial era produzir 5.766 t. Agora, a estimativa está em 5.070 t, segundo o relatório do Deral.


