Sorocaba, SP, 06 (AE) - O baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas da Região Sudeste, provocado pela falta de chuvas, já põe em risco a produção de eletricidade que abastece São Paulo, Minas Gerais e parte do Rio de Janeiro.
Para economizar água, os técnicos responsáveis pela operação das hidrelétricas estão desligando as turbinas nos horários de menor consumo. O problema é mais sentido nos reservatórios das usinas instaladas nas bacias dos Rios Tietê, Grande, Paranaíba e Alto Paraná, que respondem por mais de 70% do armazenamento de água da região.
O nível dos lagos, que no período de chuvas operam com pelo menos 60% da capacidade total, chegou a 20% no fim de outubro, depois de um período de estiagem considerado muito rigoroso. Com o nível baixo, segundo a Operadora Nacional do Sistema (ONS), órgão que controla a produção de energia elétrica de todo o País, as máquinas geradoras perdem eficiência.
A estiagem de 1999, iniciada no fim de abril, está entre as dez de menor índice pluviométrico dos últimos 68 anos. Novembro, quando recomeçam as chuvas, também foi mais seco que o normal. De acordo com a ONS, se não houver recuperação dos reservatórios a partir deste mês e até abril de 2000, quando se encerra o período úmido, poderá haver problemas de falta de energia nos momentos de maior consumo. Para atenuar esse risco, o sudeste começou a receber, ontem, excedentes de energia da Hidrelétrica de Tucuruí, no Norte, à média de 300 megawatts.
As regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste têm capacidade para produzir até 46 mil megawatts e consomem, no horário de pico, 43 mil megawatts. A ONS acredita que, mesmo persistindo a escassez de chuvas, não haverá falta de energia em dezembro, mas o risco será maior quando entrar o novo período de estiagem.
No interior do Estado, há sinais visíveis da falta de água nos reservatórios. Na Usina de Três Irmãos, no Rio Tietê, noroeste do Estado, as cinco turbinas já instaladas são desligadas em rodízio, nos horários de baixo consumo. A operação é planejada de forma a garantir o suprimento de eletricidade com a menor vazão possível pelos sangradouros. A medida evita também que o nível mais baixo da represa volte a afetar a circulação de barcaças pela hidrovia do Sistema Tietê-Paraná, como ocorreu há dois meses.
Na barragem de Barra Bonita, o nível baixo da represa é perceptível pela formação de extensas praias nas margens do lago. A usina foi privatizada e sua operação está a cargo da Companhia de Geração Tietê. Empresas que operam o turismo fluvial no Tietê temem que a operadora faça restrições ao uso da eclusa da barragem alegando economia de água. A preocupação decorre da necessidade de encher os compartimentos para elevar os barcos ao nível do lago e, depois, liberar a água retida.

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