Foz do Iguaçu, PR, 27 (AE) - A pior estiagem da década e a interferência de usinas hidrelétricas mudaram a paisagem nas duas principais bacias hidrográficas do Paraná, reduzindo pela metade a vazão das Cataratas do Iguaçu e "ressuscitando" uma cidade de quatro mil habitantes submersa há 18 anos. No Rio Iguaçu, a Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) está retendo água em cinco usinas nos finais de semana para garantir sua produção de energia.
Somada à operação da Copel, a estiagem fez baixar hoje de 1.500 para 750 metros cúbicos o volume de água nas Cataratas do Iguaçu. A queda foi ainda mais acentuada no domingo, antes da abertura parcial das comportas das usinas. Com a baixa vazão do rio, o número de quedas dágua cai de 275 para pouco mais de 100. Mesmo com pouco volume, as Cataratas continuam atraindo milhares de turistas todos os dias.
Já no Rio Paraná, a Itaipu Binacional reduziu em 4,29 metros seu reservatório para atender a demanda nacional e evitar um colapso no sistema elétrico nacional. A medida tornou impraticável o veraneio nas sete praias artificiais construídas pelas prefeituras da região às margens do lago. Em contrapartida
fez ressurgir das águas uma pequena cidade de quatro mil habitantes que estava submersa desde a formação do lago, em 1982.
Localizadas a 25 quilômetros de Foz do Iguaçu, as ruínas da vila Alvorada do Iguaçu tornaram-se ponto de visitação de moradores da região, muitos deles em busca das próprias memórias no local em que moravam até a submersão. Andando sobre o leito agora seco de algumas ruas, eles observam os restos de casas, lojas comerciais, postos de combustível, igreja e o cemitério.
Iniciada em 10 de novembro, a operação de rebaixamento do Lago de Itaipu foi prorrogada três vezes e não tem prazo para terminar, podendo alterar ainda mais a paisagem da região. A determinação foi do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), para evitar possíveis blecautes em decorrência das restrições a que estão sujeitas as hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste por causa da escassez de seus reservatórios.
Desde o mês passado, Itaipu está operando com uma carga extra de 1.200 megawatts, o que aumentou em 12% sua produção. Por causa da estiagem, a usina foi forçada a rebaixar o volume de seu reservatório para produzir a mais e atender as necessidades do setor. Com isso, Itaipu está gerando, em média, 10.900 MW por dia, dos quais 10.200 MW para o sistema elétrico brasileiro e os 700 MW restantes para o Paraguai.

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