ESTIAGEM - Municípios enfrentam situação de emergência
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quinta-feira, 10 de março de 2005
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Até o final da tarde de ontem, 48 prefeituras do Paraná tinham enviado comunicados à Defesa Civil e regionais para decretar situação de emergência devido à estiagem que assola parte do Estado desde o início do ano. A informação, obtida pela reportagem da Folha, é extra-oficial. Nenhum representante da Defesa Civil foi localizado para comentar a situação.
O meteorologista Marcelo Brauer, do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), afirmou que a situação é mais crítica nas regiões Oeste e Sudoeste, onde já houve estiagem nos quatro primeiros meses de 2004. Nesse ano, o período de seca pode se prolongar até julho. ''Não há perspectiva de volta à normalidade. Devem cair chuvas nas próximas semanas, mas não numa quantidade que resolva a situação. Em maio, devemos ter um índice de precipitação próximo da média ou levemente abaixo. Para recuperar o déficit, seria necessário um ciclo de chuvas constantes acima da média'', disse ele.
Brauer explicou que a estiagem está sendo provocada pela predominância de massas de ar quente secas, que estão elevando as temperaturas para médias superiores a 35 graus, pelo fato da umidade que costuma vir da Amazônia, do Mato Grosso e do Paraguai estar sendo canalizada para o Sudeste do País e pela pouca intensidade das frentes frias que vêm passando pela região.
Conforme estatísticas do Simepar, em Nova Prata do Iguaçu (78 km ao norte de Francisco Beltrão) a precipitação em fevereiro foi de 3,4 milímetros (mm), sendo que a média histórica na região neste mês é de 160 a 200 mm. Em março, até a tarde de ontem, o índice estava em 0,6 mm.
Segundo dados da Sanepar, a redução do volume de água do Rio Santa Cruz, manancial de Nova Prata do Iguaçu, é de 95%. A empresa alega que os mananciais superficiais - rios e minas - são os que sofrem maiores problemas com a estiagem nas regiões Oeste e Sudoeste. Na região de Pato Branco, as reduções nos volumes dos mananciais dos municípios de Clevelândia, Coronel Vivida e Saudade do Iguaçu e do distrito Doutor Antônio Paranhos, de São Jorge do Oeste, variam entre 60 e 90%.
Na região de Cascavel, o distrito do Rio do Salto e o município de Lindoeste tiveram que ser abastecidos com caminhões-pipa esta semana devido à diminuição de cerca de 50% no volume de água dos mananciais. Em outras localidades do Oeste e do Sudoeste, a estiagem provocou reduções preocupantes nas fontes de captação (veja gráfico).
A assessoria de imprensa da Sanepar informou que não houve racionamento em nenhuma área do Estado. Em casos mais críticos, foram implantadas captações emergenciais e o número de horas de funcionamento do sistema foi ampliado. A empresa alerta que, devido à situação delicada, os usuários devem controlar o uso da água.


