Brasília, 19 (AE) - O senador Luiz Estêvão (PMDB-DF) renunciou hoje à sub-relatoria do Plano Plurianual meia hora depois de assegurar que se manteria no cargo. A repentina mudança da opinião do senador leva a crer que ele tentou até o último momento convencer o líder do PMDB, Jader Barbalho (PA), a apoiá-lo publicamente. Como não conseguiu, divulgou uma nota extensa, com 11 parágrafos, em que aponta a necessidade de deixar a relatoria por causa "de um caso grave de enfermidade que acometeu um dos membros mais próximos da minha família". "O que me leva a ausentar do Congresso entre os dias 23 e 29 de novembro."
Luiz Estevão anunciou que abrirá mão da imunidade parlamentar, se o Supremo Tribunal Federal (STF) resolver processá-lo pelos crimes denunciados pela CPI do Judiciário. São eles: falsidade ideológica, enriquecimento ilícitos e atos lesivos ao patrimônio. "A imunidade parlamentar é um erro porque impede o parlamentar de se defender", argumentou. Ele insiste em dizer que não foi denunciado pela CPI, apesar da clareza do texto do relator Paulo Souto (PFL-BA).
De acordo com parlamentares, a situação de Estevão piorou na noite de quinta-feira, na festa de casamento do filho de Jader, quando ele sentiu de perto a hostilidade dos principais líderes peemedebistas. Ficou claro para o senador "que ele estava abusando e que a solidariedade do partido estava por um fio". Um deputado aponta ainda como motivo de insatisfação dentro do PMDB a insistência de Luiz Estevão em negar as acusações da CPI, agindo como se suas empresas tivessem participado à sua revelia do esquema que lhe assegurou uma boa parte do R$169 milhões desviados das obras do fórum trabalhista de São Paulo.
Em entrevista coletiva, Estevão disse que seu pai-adotivo, Lino Martins, se encontra enfermo, mas se recusou a dizer o nome do hospital, em Houston, onde ele estaria internado. Sua saída da relatoria do PPA foi recebida com alívio. "Era o que ele deveria ter feito desde o início", afirmou o senador Pedro Simon (RS). "Eu mesmo o aconselhei". Aos correligionários, Jader reconheceu ter errado ao aceitar o pedido de Estevão para a relatoria.
Obstrução - O governo também se saiu bem com a renúncia de Estevão, porque poderá avançar com a tramitação da proposta do Orçamento da União e do PPA. O exame das propostas vinha sendo obstruída pela oposição. Logo que ele deixou o cargo, o representante do PT na Comissão mista do Orçamento, deputado Virgílio Guimarães (MG), anunciou a decisão do partido de pôr um fim à obstrução. Ele lembrou que a medida foi adotada como fórmula de pressão para o PMDB substituir o senador na sub-relatoria da Previdência e Trabalho. "Foi uma estratégia absolutamente correta", comemorou Virgílio. Para ele, o mérito pela saída do PPA de um senador denunciado ao Ministério Público "é igualmente da população brasileira que não compactua com a corrupção". Barbalho informou que indicará um novo representante para o Plano Plurianual segunda-feira. Em nota, Estevão atribuiu à "uma distorção da mídia" a afirmação de que foi denunciado pela CPI.

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