Estevão recebeu procuração para movimentar dinheiro do fórum
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quinta-feira, 08 de julho de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 09 (AE) - Ao contrário do que declarou à CPI do Judiciário, o senador Luiz Estevão (PMDB-DF) teve participação direta na obra do fórum trabalhista de São Paulo, uma construção inacabada que já consumiu dos cofres públicos R$ 269 milhões. A comissão descobriu que as empreiteiras Incal e Ikal, responsáveis pela construção, deram uma procuração à empresa de construção de Estevão, a Saenco, permitindo que ela movimentasse no Banco do Brasil a chamada conta-mãe das obras, na qual eram depositados os recursos. A operação leva a CPI a acreditar que também foi a Saenco quem comandou os trabalhos no canteiro de obras. A Incal e Ikal teriam atuado como "laranjas".
Foi por esse motivo que o Ministério Público de São Paulo abriu um inquériro civil contra as empresas de Luiz Estevão. Os procuradores entenderam que não precisavam recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), fórum privilegiado dos parlamentares, porque não se trata do senador e sim de seus empreendimentos. Estevão recorreu e obteve uma liminar do ministro Marco Aurélio de Mello contrário à iniciativa dos procuradores. Enquanto não for julgado o mérito da matéria, caberá à CPI avançar nas investigações, que até agora comprovaram ter o senador recebido US$9,72 milhões das duas empreiterias, entre 1992 e o ano passado.
A Saenco é co-gestora de duas obras da Ikal em Pernambuco, uma das quais está suspensa por suspeitas de irregularidades. Os procuradores de São Paulo também descobriram que engenheiros que haviam trabalhado para Estevão atuaram igualmente nas obras do fórum trabalhista. Nas explicações que forneceu à CPI, quarta-feira da semana passada, o senador alegou que os depósitos da Incal e Ikal encontrados nas contas de suas empresas se deviam a um acerto na venda de parte de uma fazenda no Mato Grosso e do empréstimo concedido pelo Banco Ok de Investimentos, de sua propriedade. Dessa forma, ele tentou justificar os cheques recebidos de 1994 para cá, mas deixou sem explicações os que foram para as contas de suas empresas antes desse período, a partir de 1992, quando o Tesouro Nacional começou a repassar o dinheiro para a construção.


