Estevão reafirma que é legal operação entre Incal e OK
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domingo, 30 de maio de 1999
Por Ribamar Oliveira 
Brasília, 31 (AE) - O senador Luiz Estevão (PMDB-DF) admitiu hoje que novos cheques da construtora Incal para suas empresas poderão aparecer no levantamento que está chegando à CPI do Judiciário. Até agora chegaram à comissão nove cheques da Incal, emitidos de 25 de novembro a 27 de dezembro de 1994, nominais à Saenco Saneamento e Construções e à CIM Construtora e Incorporadora Moradia, ambas do grupo econômico do senador. "Certamente existem outros cheques, pois tivemos negócios posteriores com essa empresa (a Incal)", disse.
Para Estevão, "seria anormal se não houvesse cheques entre as empresas, já que elas tiveram negócios nos últimos cinco anos". O senador brasiliense, dono do Grupo OK, um dos maiores conglomerado econômicos do Distrito Federal, fez questão de dizer que os cheques "não foram emitidos para a pessoa física Luiz Estevão", mas para as suas empresas. "O fato dos cheques serem nominais às empresas mostra a regularidade dos negócios", afirmou. "Um cheque nominal é autoesclarecedor".
A Incal Incorporações, do empresário Fábio Monteiro de Barros Filho, foi a empreiteira contratada para a construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. A obra está abandonada desde outubro e já consumiu R$ 263,9 milhões. A Procuradoria da República abriu investigação sobre a suposta vinculação do senador Luiz Estevão com a Incal. O senador admitiu negócios entre suas empresas e a Incal, mas afirmou não saber detalhes dessas transações pois está licenciado da direção do seu grupo empresarial desde 3 de abril de 1994. Antes de ser eleito senador, em outubro do ano passado, Estevão foi deputado distrital.
Luiz Estevão disse que comprou uma fazenda em sociedade com o empresário Fábio Monteiro de Barros Filho e que o Banco Ok, de sua propriedade, fez empréstimos para a Incal. De acordo com o senador, os cheques são pagamentos desses negócios. Mas Luiz Estevão não soube informar os valores dos empréstimos feitos para a Incal. "Estou licenciado da direção das minhas empresas desde abril de 1994 e não sei os detalhes desses negócios".
Telefones - O senador Luiz Estevão disse hoje que a listagem com ligações do juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto para ele está errada. A listagem foi preparada pela Telesp/Telefônica. O senador disse ter identificado numerosas ligações que se superpõem ou que são realizada simultaneamente. "Das 48 ligações que a Telesp diz que o juiz fez para meus telefones, verifiquei situações absurdas em 28 delas", afirmou.
Um exemplo dado por Luiz Estevão é que o telefone 981.0045, de uma de suas empresas, recebe três supostas ligações do juiz Nicolau dos Santos Neto exatamente no mesmo horário, às 22 horas do dia primeiro de agosto de 1996. A listagem mostra também que às 15h30 do dia 10 de dezembro de 1996, o mesmo telefone 981.0045 recebeu três ligações do juiz Santos Neto, no mesmo instante.
No dia 2 de junho de 1998, o problema é outro. Às 19h40, o telefone 981.1981, de uma empresa de Luiz Estevão, recebeu uma ligação de Santos Neto, que teria durado seis minutos. Às 19h42, o mesmo telefone teria recebido, de acordo com a listagem da Telesp/Telefônica, uma nova ligação com duração de 10 minutos. Às 19h50, Santos Neto teria ligado novamente e demorado cinco minutos. "Segundo a listagem da Telesp, recebi mais duas ligações, no mesmo telefone, enquanto estava atendendo a primeira", disse Luiz Estevão, que vai enviar um ofício à Telesp/Telefônica para que a empresa esclareça os erros cometidos. O senador não descarta a possibilidade de processar a empresa por danos morais. Luiz Estevão garante que só falou duas vezes com Santos Neto.


