Estelionatário acusa vereadora e diz que sofreu ameaças e apanhou da polícia
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sexta-feira, 31 de março de 2000
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 1 (AE) - O estelionatário Fabiano Leite de Sá Lima afirmou hoje que sofreu ameaças e apanhou da polícia para desmentir as acusações que fez contra a vereadora Maria Helena (suspensa do PL) durante as investigações da máfia dos fiscais, no ano passado. Leite prestou depoimento à Comissão Processante que analisa denúncias contra a vereadora, na Câmara Municipal.
O depoimento durou três horas. Leite disse ter sido vítima de um flagrante forjado, em dezembro, no 4.º Distrito Policial (Consolação), pelo filho da vereadora, Paulo Neme, e um advogado. Na delegacia, teria sido obrigado a dizer, numa conversa telefônica com Neme e o advogado, que havia acusado Maria Helena sob coação de integrantes da força-tarefa que investiga a máfia dos fiscais. "Tive de falar isso apanhando", afirmou hoje o estelionatário.
A conversa foi gravada e apresentada por Maria Helena em seu depoimento na comissão, quarta-feira. Ela disse ter recebido a fita da Corregedoria da Polícia Civil.
Flagrante - Lima não soube informar o nome do delegado que estava no 4.º DP no dia da suposta armação. Ele prometeu levar cópia do flagrante na segunda-feira à Câmara, quando será submetido a acareação com Maria Helena.
O filho da vereadora, Paulo Neme, negou as acusações. Ele disse que só ligou para Lima depois de ter sido procurado diversas vezes pelo estelionatário.
Lima confirmou todas as acusações feitas a Maria Helena no ano passado, entre elas a tentativa de extorsão de dinheiro do vereador Salim Curiati Júnior (PPB). Ele garantiu que presenciou um encontro, em 1999, no qual a vereadora entregou uma mala com R$ 1,5 milhão ao prefeito Celso Pitta (PTN).
Lima também passou hoje por uma acareação com o policial militar Gilmar Belline. O PM contestou a informação do estelionatário de que ele e a vereadora ficaram três horas na Câmara no dia da gravação de outra fita, que revelava supostas ameaças de morte de duas ex-funcionárias da Casa a Curiati. Belline, que acompanhou Lima e a vereadora naquele dia, assegurou que eles não ficaram mais de 40 minutos no gabinete de Maria Helena.


