Estatísticas mostram que houve melhora dos indicadores Do correspondente Paulo Sotero
Washington, 02 (AE) - A mais recente edição do relatório "World Development Indicators" do Banco Mundial não ajuda a elucidar a discussão em curso entre acadêmicos e os defensores das políticas do atual governo sobre se os indicadores sociais e de qualidade de vida melhoraram no Brasil nos últimos dez anos.
Publicado em 1998, o documento, que se baseia em estatísticas fornecidas pelos governos dos países membros do BIRD, é incompleto e não vai além de 1995.
No entanto, para o chefe da divisão de programas sociais do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Claudio de Moura Castro
os dados que o IBGE e outras entidades já possuem e que estarão na próxima edição do World Development Indicators não deixam dúvidas de que o País está fazendo progressos.
"As matrículas no segundo grau dobraram em sete anos, a esperança de vida passou 63 anos em 1991 para 67 em 1996 e continua aumentando, há mais gente com água encanada e banheiro dentro de casa, com televisão, com luz elétrica, geladeira, freezer, telefone e etc", disse ele.
"Você pode dizer que continua tudo uma porcaria e isso é perfeitamente verdade, agora é impossível desconhecer que houve melhora, pois não há nenhum dado central que indique deterioração - até a altura média das crianças e dos jovens brasileiros está aumentando", disse Moura Castro.
A informação sobre a estatura dos brasileiros refere-se ao período de 1951 a 1983 e não pode ser atribuído ao atual governo. Mas também não há nenhuma indicação de que as pessoas tenham encolhido nos últimos quatro anos e meio. Quanto ao aumento do desemprego, Moura Castro disse que se trata de um fenômeno cíclico e que não está restrito ao Brasil.
Segundo o alto funcionário do BID, não se pode nem sequer argumentar que o maior acesso à educação que existe hoje no Brasil é ilusório, por causa da baixa qualidade do ensino. "Não dá mais para dizer isso, porque já há testes comparando um ano com o outro e, embora eles sejam ainda iniciais e não constituam uma série longa, mostram que a qualidade do ensino não está caindo."
A análise de um período de tempo mais extenso torna ainda mais claros o progresso dos indicadores sociais. Entre 1980, ano em que o País já começava a mergulhar na crise econômica da chamada "década perdida", e 1996, a porcentagem de domicílios conectados às redes gerais de água e esgoto aumentou de 53,2% para 74,2% e de 26,3% para 40,3%, respectivamente, segundo dados do IBGE.
Entre 1930 e 1990 a moratlidade infantil caiu de 146 por mil para 31,2 por mil. De 1970 para 1996, a vida média dos brasileiros aumentou em mais de 15 anos, de 51,4 para 67,6 anos e - acrescenta Moura Castro - "continuou a aumentar nesta década".





