Curitiba - Duas regionais de saúde do Paraná surpreenderam nas estatísticas sobre mortalidade infantil em 2001. Irati, considerada a pior região do Estado no número de mortes de bebês com menos de um ano para cada mil nascidos vivos, teve uma redução de 38,5% no coeficiente, passando de 30,4/mil em 2000 para 18,6 mortes/mil no ano passado. A regional de Toledo teve uma queda de 55% no coeficiente, de 18,5 mortes/mil nascidos vivos em 2000 para 8,3/mil no ano passado.
O diretor de Vigilância e Pesquisa da Secretaria Estadual da Saúde, Nereu Henrique Mansano, diz que é preciso analisar os coeficientes a longo prazo, pois pode haver discrepâncias num determinado ano. ''Vamos analisar nos próximos anos se essa tendência vai se confirmar. Mas, sem dúvida, é um bom indicativo'', garante. No caso de Irati, Mansano diz que acompanhou de perto os trabalhos no último ano e houve uma junção de forças dos nove municípios que compõem a regional, a própria coordenação da regional de saúde e, principalmente, a ação da Pastoral da Criança na região.
No caso de Toledo, segundo Mansano, houve a instalação da UTI Neonatal no município. No entanto, houve uma grande redução no número de mortes entre crianças a partir dos 28 dias de vida até um ano, que não são atendidas pela UTI Neonatal.
A ex-secretaria municipal da Saúde de União da Vitória e ex-funcionária da Secretaria Estadual da Saúde, Ligia Mendonça, diz que a análise das estatísticas deve ser minuciosa, pois qualquer subnotificação de casos de morte ou contabilização de morte de um bebê de outro município podem distorcer o coeficiente. ''Isso acontece muito no Paraná. Os nascimentos e mortes não são informados porque acontecem na zona rural. Em outros municípios, como União da Vitória e Foz do Iguaçu, os atendimentos a bebês de fora do município acabam interferindo nas estatísticas'', explica. No caso de Irati e Toledo, por exemplo, ela garante: ''essa redução brutal de um ano para outro é irreal. Devemos investigar mais detalhadamente o que aconteceu lá'', diz. (M.K.)

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