Estatística aponta falha no combate à Aids
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sexta-feira, 22 de outubro de 2004
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba- As estatísticas do Programa Nacional de DST e Aids, do Ministério da Saúde, mostram que a Região Sul do País precisa se empenhar mais nas ações de prevenção à doença. O Brasil apresentou uma redução de 26% no número de casos de Aids registrados, mas essa desaceleração, segundo o governo federal, não vem ocorrendo com a mesma velocidade nos estados do Sul. A região concentra 49.970 casos de Aids, com uma incidência, em 2003, de 8,5 casos para cada 100 mil habitantes. Já no País, a taxa é de 5,5 casos. O total de registros refere-se ao período de 1980 a 2003.
Segundo os dados do Ministério da Saúde, desde 2001, o Sul ultrapassou o Sudeste em registro de novos casos. Na região Sudeste a incidência é de 7,5, com 213.079 ocorrências. As duas regiões concentram 84,8% dos casos. Dos 100 municípios com maior número de casos de aids, mais de 80 deles estão nessas regiões.
Seis cidades paranaenses estão entre os municípios com maior número de casos (ver quadro ao lado). Curitiba aparece na quinta posição, totalizando 5.785 casos, entre 1980 e 2003. No ano passado, foram registrados 292 novos casos. A capital paranaense fica atrás apenas de São Paulo (59.773 casos), Rio de Janeiro (29.352), Porto Alegre (11.190) e Belo Horizonte (8.458). Londrina, Foz do Iguaçu, Paranaguá, Maringá e Ponta Grossa, também figuram entre os 100 municípios.
Outro dado preocupante na Região Sul é o aumento na taxa de mortalidade. Em 2000 em relação a 2001, o número de óbitos cresceu quase 8%, passando de 1.961 registros para 2.114. Em 2002, comparado ao ano anterior, o aumento foi próximo de 6%, totalizando 2.239 mortes.
No País, a taxa de mortalidade apresenta tendência de estabilização, com média de 6,3 óbitos por 100 mil habitantes nos últimos três anos. No Sul, a taxa em 2002 (último dado disponível), era de 8,7 mortes.
A coordenadora do Programa Estadual de DST e Aids, Maria Cristina Assef, disse que os números desfavoráveis para o Sul são decorrentes das características peculiares da região. Segundo ela, a maioria dos casos de Aids do Sul é de pessoas que se infectaram por via parenteral (usuários de drogas que compartilharam seringas). ''É uma população que tem menos acesso às ações de prevenção. Os usuários de drogas não se expõem e não expõem essa faceta'', afirmou.
Maria Cristina alega que o aumento na taxa de mortalidade no Sul também está ligada à dificuldade de atingir os usuários de drogas com ações preventivas. ''Eles são menos aderentes ao tratamento, além de existirem tipos diferentes de vírus circulando no Sul, o que não acontece em outras regiões'', esclareceu.
Esta semana, o Fórum Paranaense de Organizações Não Governamentais (ONGs) que atuam contra a Aids denunciou que o Paraná deixou de aplica mais de R$ 1,5 milhão dos recursos federais recebidos em ações de prevenção e assistência aos soropositivos. A denúncia será investigada pelo Ministério da Saúde.


