Estatal pode perder plataforma
A Petrobras corre o risco de perder a maior plataforma de produção de petróleo do mundo, a P-36 onde ocorreram as explosões. A informação de que a P-36 pode afundar foi dada pelo presidente da estatal, Henri Philippe Reichstul. A plataforma está adernada com uma inclinação de 30 graus. Estamos observando a P-36. Se esta inclinação se estabilizar, poderemos entrar na plataforma para avaliar as condições e recuperá-la, disse.
Reichstul explicou que a entrada na plataforma só deverá acontecer na manhã de hoje. Temos um problema de luz. Depois das 18 horas, fica muito escuro para entrar em uma plataforma acidentada, afirmou.
O presidente da estatal informou que, se a plataforma acidentada afundar, pode ocorrer um vazamento de 1.500 metros cúbicos de petróleo no mar, o correspondente a 1,5 milhão de litros. Esta é uma plataforma de extração de petróleo e não de armazenamento e, portanto, o único óleo que poderia vazar é aquele que está nas tubulações.
Segundo Reichstul, há 12 barcos da Petrobras acompanhando a plataforma para avaliar suas condições de flutuabilidade e a possibilidade de uma abordagem. Não há mais qualquer sinal de fogo ou de fumaça na plataforma, assegurou o presidente da estatal.
De acordo com o presidente da empresa, os barcos de prontidão têm barreiras de contenção de óleo, para o caso de vazamento, e também equipamentos com capacidade para recolher até 2.200 metros cúbicos de óleo do mar. Os poços no fundo do mar foram lacrados, o que elimina o risco de vazamento submarino, garantiu Reichstul. A plataforma opera numa profundidade de água entre 1.300 e 1.800 metros.
O presidente da Petrobras disse que a empresa ainda não fez uma avaliação em relação ao impacto desse acidente na produção. É claro que haverá perdas financeiras, mas agora estamos preocupados com as vítimas. E não começamos ainda a contabilizar esses números, disse. Reichstul informou que a plataforma, que custou US$ 354 milhões, está segurada em US$ 500 milhões.
Sabotagem O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, foi questionado ontem sobre a possibilidade de os acidentes da Petrobras, ocorridos em grande número nos últimos três anos (desde que o mercado brasileiro de petróleo iniciou o processo de abertura), serem resultado de sabotagem de pessoas que são contra a privatização da estatal. Zylbersztajn descartou essa hipótese. E afirmou: O governo nunca falou em privatizar a Petrobras. Quem fala nisso é a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT). Por isso, sabotagem é conversa de maluco, considerou.





