No mesmo dia em que anunciou lucro líquido de R$ 10,1 bilhões, o maior de sua história e de qualquer outra empresa brasileira, obtido em 2000, a Petrobras também ganhou destaque no noticiário por mais um desastre ambiental. Na última sexta-feira, sete meses após o desastre ambiental na refinaria de Araucária, a estatal foi responsável pelo derramamento de mais de 50 mil litros de óleo diesel em pelo menos três rios de um dos santuários do meio ambiente brasileiro, a Serra do Mar.
Frente a estes resultados, a Petrobras passou a ser cobrada por órgãos públicos e ambientalistas, que exigem investimentos na prevenção de acidentes e preservação do meio ambiente compatíveis com seus lucros. ‘‘Se ela tivesse investido em 2000 pelo menos R$ 2 bilhões em prevenção de acidentes, este valor ainda seria apenas troco se comparado aos danos que a empresa vem causando ao ambiente’’, critica Clóvis Ricardo Borges, presidente da Sociedade de Pesquisa à Vida Selvagem (SPVS).
A Petrobras, no entanto, prevê um gasto de R$ 2 bilhões em medidas preventivas não em um ano, mas em quatro. É essa a meta até 2003 do Programa de Excelência em Gestão Ambiental e Segurança Operacional (Pégaso), criado pela empresa em janeiro de 2000, após o primeiro acidente de 2000: o derramamento de 1,3 milhão de litros de óleo combustível na Baía de Guanabara (RJ).
Segundo o gerente-executivo de Segurança, Meio Ambiente e Saúde da Petrobras, Irani Varella, estes recursos estão sendo usados para automação de processos, gestão de tecnologia, e processos que garantam maior confiabilidade dos equipamentos e monitoramento. A Petrobras também criou, no final de 2000, nove centros ambientais para atendimento de emergências.
Segundo Rubens Novicki, gerente-geral da Unidade de Negócios Repar da Petrobras, a refinaria de Araucária investiu R$ 10 milhões em medidas preventivas no ano passado e a meta é aplicar R$ 15 milhões até 2003.
Apesar disso, a Petrobras fechou o ano 2000 com o ônus de 19 acidentes responsáveis pelo vazamento de cerca de 5,9 milhões de litros de material poluente em rios e no Oceano Atlântico. Os dados são do relatório da Comissão Mista formada pelo Crea para investigar os acidentes envolvendo a empresa no Paraná. O maior deles ocorreu em julho, quando 4 milhões de litros de petróleo foram derramados nos rios Iguaçu e Barigui, devido ao rompimento de uma junta na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba.
Além de pagar cerca de R$ 80 milhões em multas em 2000, a Petrobras também teve o certificado ambiental ISO 14000 suspenso em função dos acidentes. Após análise das condições da empresa, o certificado foi restabelecido.

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