Brasília, DF- O governo deve criar uma empresa estatal para gerenciar a extração de minérios em terras indígenas. A proposta, em estudo no Palácio do Planalto, agradou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pois poderá resolver um problema existentes nas principais reservas do País.
Há 20 dias, índios cinta-larga mataram 29 garimpeiros que estavam explorando ilegalmente diamantes na reserva Roosevelt, no interior de Rondônia. A PF começou ontem uma operação para acabar com a exploração de diamantes pelos índios cinta-larga.
O governo vem estudando uma legislação para permitir a exploração de minérios nas terras indígenas, mas não tinha nenhuma definição de como isso seria feito. No final de semana, Lula confirmou a interlocutores que a criação de uma empresa estatal pode ser a melhor solução para o momento, pois o Departamento Nacional de Pesquisas Minerais (DNPM) não tem o poder de gerenciar as explorações, apenas fiscalizar.
A intenção do governo é criar a empresa o mais rapidamente possível, até mesmo por medida provisória, para evitar novos confrontos como o que ocorreu em Rondônia. O Palácio do Planalto teme que, após a retirada da PF da área, os garimpeiros voltem à região e aconteça uma retaliação. Garimpeiros e índios estão fortemente armados, apesar de a Polícia Federal estar fazendo uma operação desarmamento na região do Roosevelt.
A PF começou ontem uma operação para acabar com a exploração de diamantes pelos índios cinta-larga na reserva Roosevelt, onde os 29 garimpeiros foram assassinados na Semana Santa. Na semana passada, ao sobrevoar a área, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Félix, observou que vários grupos de índios ainda estavam garimpando.
''Agora ninguém mais vai trabalhar na região'', afirmou o delegado Mauro Spósito, coordenador-geral de operações especiais de fronteira da PF. Para o delegado, a determinação é uma forma de evitar o clima de tensão na área, pois os brancos foram impedidos de continuar garimpando ilegalmente na reserva Roosevelt.
''Além de tudo, a exploração de minérios em terras indígenas é proibido'', afirma Spósito, que comanda a ação da PF na região, onde há pelo menos quatro mil garimpeiros entre os municípios de Cacoal, Espigão D'Oeste e Pimenta Bueno, a pouco mais de 500 quilômetros de Porto Velho.
A PF também vai solicitar à Fundação Nacional do Índio (Funai) a apresentação de todos os caciques considerados suspeitos de participação no massacre. Entre eles, Dirceu Cinta-Larga, Nocaça Pio, Iota Matina e João Bravo, considerados as principais lideranças do Roosevelt. Os quatro foram denunciados pelo Ministério Público Federal por formação de quadrilha e exploração ilegal de minérios em terras indígenas.

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