Cerca de 100 mil funcionários de empresas terceirizadas prestam serviços hoje à Petrobras, em funções que vão de recepcionistas a técnicos que participam de operações de extração de petróleo em alto-mar. A empresa tem 35 mil contratados.
A terceirização não é vista pelo presidente da empresa, Henri Phillipe Reichstul, como causa do acidente na P-36. Segundo o presidente, a Petrobras exige que todos os funcionários, dela ou de outras empresas, tenham rigorosos treinamentos de segurança antes de serem embarcados em plataformas.
O Ministério Público do Trabalho anunciou ontem em Macaé que solicitou por ofício à Petrobras a relação de todas as empresas que prestam serviço à estatal, de todos os operários terceirizados e as funções que exercem, além dos contratos com as prestadoras de serviço. A empresa terá 20 dias para entregar os dados.
O objetivo é reunir material para processar a Petrobras em uma única ação civil pública, que reuniria as seis ações isoladas que hoje o MP do Trabalho move contra a empresa. ‘‘Queremos ver a licitude desses contratos e quais as atividades que esses trabalhadores estão exercendo, já que eles não podem trabalhar na área fim da empresa, que é a produção’’, disse o procurador Rodrigo de Lacerda Carelli.
Reichstul reconhece que a qualidade do treinamento nas empresas contratadas é inferior ao da Petrobras, o que é motivo de preocupação. Ele disse que a estatal tem um programa de aperfeiçoamento de suas condições de segurança, que prevê intensificação dos treinamentos nas empresas contratadas.
Cerca de dois terços dos 175 funcionários que estavam na P-36 durante as explosões eram terceirizados. ‘‘Não há indicações de que o acidente possa ter sido causado por um trabalhador sem vínculos com a Petrobras, pois, no momento das explosões, não havia nenhum tipo de trabalho sendo desenvolvido, nem de terceirizados nem nossos’’, afirmou Reichstul. (A.F.)

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