Quando estamos no final de nossos cursos universitários, não vemos a hora de tornarmo-nos bacharéis e deixarmos de ouvir aquela quantidade interminável de aulas, na sua grande maioria muito teóricas e cansativas.
Após a formatura, principalmente para aqueles que não advém de famílias poderosas e influentes, vem o momento do desprezo, das angústias e das incertezas. Qual o caminho a ser seguido?
No caso do Direito, restam, em suma, dois caminhos a serem seguidos: a advocacia ou os concursos públicos.
Para a advocacia é fundamental que o profissional tenha bom entrosamento social, ao ponto de que isto lhe reverta em clientelas. Além do mais, o retorno financeiro geralmente é mais demorado do que o salário garantido no final do mês, após a aprovação em concurso público.
É verdade, porém, que, no caso de vitória na advocacia, o ‘salário’ será seguramente maior do que os dos cargos públicos, mas como a advocacia é a arte da incerteza, na busca da estabilidade muitos preferem a certeza das funções públicas.
Questão que tem gerado grande controvérsia são os critérios que vêm sendo utilizados no preenchimento das vagas existentes, nos concursos públicos.
A título ilustrativo, trazemos os dados dos últimos concursos públicos para juiz do Trabalho e procurador do Estado. Nos últimos cinco concursos para juiz do Trabalho, destacamos o número de candidatos e os aprovados, respectivamente: 1.008-08, 975-1, 1.128-20, 835-10 e 1.194-08.
Nos últimos cinco concursos da Procuradoria do Estado do Paraná, o número de candidatos e os aprovados respectivamente foram: 614-24, 703-04, 841-26, 608-10 e 1.323-19.
Como é fácil de verificar, o número de pessoas que buscam os concursos é bastante grande, mas o que desperta questionamento é o fato de que, tanto no concurso para juiz do Trabalho quanto para procurador do Estado, a existência de vagas que não são preenchidas, mesmo realizados os concursos, é uma constante.
Discute-se sobre o despreparo dos disputantes. É de indagar-se se os atuais critérios dos concursos são realmente corretos. Embora não devamos generalizar, um fato parece-me que deve ser destacado. Os profissionais mostrarão se são realmente competentes na prática profissional. Deixar trabalhos forenses acumularem-se por critérios exacerbados de exigência nos concursos afetam toda a coletividade, que se vê, muitas vezes, frustrada e impotente diante da famigerada demora na análise das questões jurídicas postas a exame pelos agentes estatais.
Para a vitória na aprovação de um concurso, muitos fatores são importantes, como a dedicação nos estudos, a persistência e a memória, para que se armazene a maior quantidade possível de matérias, visto que os programas são extensos. Aqui vale menção ao fato de que muitas pessoas estudam e muito, mas por características peculiares, têm uma grande facilidade de esquecer o que estudaram. isto é um complicador nos concursos.
Outro fator que parece-me muito importante é a tranquilidade na hora de fazer uma prova. Muitas pessoas altamente capacitadas não se saem vitoriosas, pelo famoso ‘branco’, próprio do nervosismo no momento da realização das provas.
Aliados a isto, a sorte, pois, como os temas são muito variados, é importante também que esteja sob exame uma quantidade de matérias de domínio do concursando.
A propósito está em andamento concurso da Procuradoria Geral do Estado. Iniciou-se com cerca de 1.800 candidatos, e apenas 42 pessoas foram para a última fase, a realizada no último domingo de setembro. Com certeza sobrarão vagas, mais uma vez. Qual a razão?
- Paulo Gomes Júnior é procurador do Estado e chefe da Regional de Foz do Iguaçu.

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