Estágio pode ser passaporte para emprego
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sábado, 21 de julho de 2001
Guto Rocha De Londrina 
A exigência de experiência é um dos pré-requisitos que mais limitam a conquista de uma vaga para candidatos que tentam entrar no mercado de trabalho. Mesmo com formação universitária ou cursos técnicos, é comum os calouros do primeiro emprego acabarem sendo eliminados quando são questionados se já exerceram alguma atividade profissional anteriormente.
Os estágios oferecidos por algumas empresas são uma oportunidade para o futuro profissional ter contato com a futura atividade e chegar ao mercado de trabalho com alguma noção prática do que seus cursos oferecem na teoria. Segundo o supervisor regional do Centro de Integração Empresa e Escola (Ciee) de Londrina, Afonso de Miranda Wosny, para aproximar os estudantes do mercado de trabalho, foi criada em 1967 a lei 6494 que instituiu os agentes de integração entre escolas e empresas.
Através destes agentes, explica Wosny, as instituições de ensino e as empresas formalizam convênios para ofertar vagas de estágio para os estudantes. Ele observa que em muitos casos, os próprio cursos oferecem estruturas para que seus estudantes façam estágio na instituição, como é o caso dos hospitais universitários, veterinários e outros órgãos do gênero.
No caso dos estágios curriculares realizados fora da escola, o agente de integração, como o Ciee, é responsável pela busca de vagas, inscrição e seleção de estudantes aptos a ocuparem a vaga oferecida pela empresa. Wosny afirma que os estágios podem ser feitos por estudantes a partir dos 16 anos, que estejam cursando o segundo ano do ensino médio e alunos universitários a partir do primeiro ano de faculdade.
O supervisor do Ciee afirma que o estágio oferecido pela empresa também deve ser pertinente ao curso que o candidato frequenta. Um estudante de adminstração deve estagiar na área adminstrativa da empresa, observa. O horário do estágio também deve ser compatível com os horários escolares. Wosny afirma que através de um plano de estágio, o agente de integração acompanha o desenvolvimento do estágio, que também deve ser supervisionado por algum professor e um profissional da empresa que irá acompanhar o desenvolvimento do estudante.
Wosny observa que este monitoramento tem, também, o papel de evitar que as empresas utilizem os estagiários como mão-de-obra barata. Quando isso acontece, observa ele, o estagiário pode até entrar com uma ação trabalhista contra a empresa.
Apesar de o estágio não criar vínculo empregatício, as empresas têm algumas obrigações com os estagiários. Uma delas é respeitar os horários, ficando proibida a realização de horas extras. Outra obrigação é o pagamento de uma bolsa para o estudante. O valor desta bolsa, segundo Osny, é de R$ 180,00 para estagiários do nível médio, e varia de R$ 250,00 até R$ 1 mil para o nível superior. Mesmo sem ter obrigação, algumas empresas ainda oferecem vale-transporte e 13º salário. No caso de acidente de trabalho, o sinistro é coberto por um seguro feito pelo agente integrador.
Wosny diz que os estágios devem ter duração mínima de seis meses e dois anos no máximo. Concluído o estágio, o estudante recebe um certificado que pode ser o passaporte para o primeiro emprego.


