Pré-diabetes. O próprio nome indica que ainda não existe a doença (do tipo 2). Mas, ao mesmo tempo, já existem indícios. É por isso que, cada vez mais, especialistas se preocupam em detectar o mal nesse estágio que pode ser revertido. ''O que as pesquisas tem descoberto é que entre ter essa característica (de pré-diabetes) e se tornar diabético há um período de pelo menos 10 anos, tempo suficiente para mudar hábitos'', alerta o endocrinologista Guilherme Marquezine, de Londrina.
O diabetes, segundo o médico, se caracteriza por glicose no sangue acima de 125 em jejum, glicose maior que 200 sem jejum, ou quando há sintomas, como boca seca, emagrecimento repentino e paciente urinando demais. ''Mas, é importante lembrar que, no início, não há sintomas, o que não quer dizer que não há prejuízos. Nessa fase já é ruim para a circulação e para a parede dos vasos'', diz.
Como o normal é glicose até 99 em jejum, o pré-diabetes fica na faixa entre 100 e 125, que ''a qualquer momento pode ser revertido''. Para isso, é preciso intervir, principalmente na alimentação e na atividade física.
A obesidade, ressalta, é apontada como o fator pré-diabético mais importante. Primeiro porque é consequência de hábitos ruins - alimentação rica em açúcar e gordura, e sedentarismo. Segundo, porque a gordura visceral leva a um estado de resistência à insulina - é preciso cada vez mais da substância para manter normais os níveis de glicose, e, como a produção não aumenta indefinidamente, a vida útil do órgão poderia ficar menor.
E, por fim, porque a presença de gordura abdominal, a chamada ''entre vísceras'', produz substâncias que predispõe a desenvolver o diabetes, a baixar o bom colesterol (HDL), e a aumentar o triglicérides - todos fatores de risco para doenças cardiovasculares. ''Ninguém morre de diabetes, mas de complicações, como infarto e insuficiência renal'', afirma.
Mas não basta comer açúcar, carboidratos e gordura em excesso para desenvolver o diabetes. ''É preciso uma carga genética propícia'', ressalta. (C.P.)

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