Estagiários divulgam sistema de cotas
A experiência como estudantes de escola pública que chegaram à universidade é relatada pelos estagiários do Prope, Nikolas Pallisser e Maicon Guilherme da Silva Rodrigues, aos alunos das escolas que visitam para divulgar o vestibular da UEL e os programas de incentivo ao acesso à universidade. Ambos são do curso de Ciências Sociais e recebem uma bolsa para fazer o trabalho.
"Os estudantes do ensino médio têm pouca informação, principalmente sobre as cotas sociais e raciais. Eles não sabem porque existem", relatam. Segundo eles, o programa tem entre as metas aumentar o número de inscrições pelas cotas. "Nosso trabalho é convencer o aluno que a universidade pública é dele", dizem.
Os estagiários defendem que o Prope pode mudar a história da UEL ao levar - e manter - alunos da escola pública à universidade. "Mas ainda falta estrutura para trabalharmos", reclamam, lembrando que hoje são apenas quatro estagiários. "Estamos procurando editais para concorrer e, assim, oferecer oportunidades a outros estudantes. As bolsas são importantes para a permanência", defendem.
Nikolas conta que estudou a vida toda em escolas públicas da Zona Sul de Londrina e, no Ensino Médio, não tinha perspectiva de prestar vestibular. "Foi meu irmão que entrou na UEL e me incentivou", relata ele, que foi aprovado pelas cotas raciais e conseguiu dar nova perspectiva à vida profissional. "A maioria das pessoas que terminou o ensino médio comigo não fez vestibular. O normal é sair da escola e trabalhar em mercados ou firmas", conta.
Maicon terminou o Ensino Médio em 2006, depois de fazer um ano de supletivo. Por cinco anos, trabalhou no setor de serviços e empresas metalúrgicas de São Paulo. "Não tinha qualquer incentivo para fazer vestibular, pois ninguém na minha família tem curso superior", relatou. Um primo que mora em Londrina foi quem deu a dica da UEL e da possibilidade de conseguir bolsas para se manter enquanto estudava. "Tenho bolsa desde o primeiro ano, é fundamental para manter meu rendimento na vida acadêmica", acredita.
Os universitários se esforçam para motivar os alunos. "Tentamos mostrar que é possível chegar ao ensino superior." (C.A.)





