Estagiário detido por soltura de presos reteve dinheiro de fiança
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terça-feira, 19 de junho de 2018
Isabela Fleischmann - Reportagem Local 
O ex-estagiário da 3ª Delegacia Regional de Polícia de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba, que foi preso na última quinta-feira (14), desviava dinheiro de fiança para benefício próprio, segundo as investigações coordenadas pelo MPPR (Ministério Público do Paraná). O estudante também é suspeito de liberar indevidamente presos mediante pagamento de propinas. O MP cumpriu mandado de busca e apreensão na residência do estudante, onde foram encontradas caixas com documentos e maconha apreendida de termo circunstanciado. O ex-estagiário foi preso em flagrante por peculato, crime em que o funcionário público usa sua função para proveito próprio, com posse de documentos timbrados da polícia civil.
Novo delegado responsável pela unidade de polícia civil de Campo Largo, Joaquim Figueira, assumiu o cargo há menos de 15 dias, substituindo o antigo chefe, Cassiano Aufiero, transferido para Curitiba. A investigação começou quando Figueira recebeu uma denúncia sobre o antigo estagiário e acionou o Ministério Público. O estudante era escrivão 'ad hoc' da delegacia e exerceu a função por dois anos. O termo significa substituto temporário, mas nas delegacias de polícia civil assumem caráter permanente, como forma de suprir o déficit de escrivães das unidades. Segundo o MP, o discente se aproveitava da desorganização da delegacia e escondia procedimentos e materialidades de crimes.
Ao ser absolvido de um crime, o indivíduo pode solicitar o valor pago pela fiança, que fica armazenado em uma conta oficial. No entanto, os documentos relativos ao dinheiro de um preso não foram encontrados na unidade policial. "Uma vítima veio falar comigo a respeito de uma fiança arbitrada no valor de R$ 1.300 que procurava receber e nada constava sobre a restituição", contou o delegado. Esse preso fez contato com o estagiário - que tinha deixado a delegacia há quatro meses - por meio do whatsapp e mencionou o reembolso. O estudante afirmou que iria "acertar" o valor da fiança com o preso por meio de empréstimos familiares ou de terceiros. "Tomei conhecimento disso na semana passada e pedi que a vítima fizesse ata notarial [boletim de ocorrência] da conversa de whatsapp", expôs Figueira, que informou a situação para o Ministério Público em seguida.
Por meio de nota, o MP afirmou que o estagiário também "lavrava procedimentos investigatórios decorrentes de prisões em flagrante mas liberava os réus sem observar o devido processo legal, cobrando valores para isso, sob o pretexto de 'fiança' e se apropriava dos valores recolhidos". Com o fim do estágio, o discente levou consigo a documentação para não deixar rastros, como explicou Figueira. Preso em flagrante, o estudante foi levado para a mesma delegacia de Campo Largo em um primeiro momento, mas em seguida foi transferido para a capital. "Solicitei remoção imediata para o Complexo Médico Penal de Pinhais, por questões de segurança", afirmou. A investigação segue em sigilo com a análise de documentos e deve ser finalizada em 10 dias.


