Washington, 05 (AE) - A Casa Branca e o Departamento de Comércio dos Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (05) um plano para proteger as usinas siderúrgicas norte-americanas e seus 167.000 empregados das importações de aço de outros países - entre eles o Brasil. A proposta prevê tanto medidas domésticas
para limitar as compras no exterior, como ações em relação às instituições financeiras externas.
Segundo Chris Dunn, um dos advogados que representa os interesses dos exportadores brasileiros de aço nos Estados Unidos, o plano terá mais impacto político que econômico. "O vice-presidente Al Gore, que está em campanha para as eleições presidenciais do ano 2000, quer demonstrar que o governo está dando ouvidos ao lobby do setor siderúrgico", explicou.
Hoje, a Casa Branca prometeu manter contatos bilaterais com os governos de países cujas exportações de aço para os EUA aumentaram nos últimos anos, para insistir no fim dos subsídios às vendas e da prática de dumping (venda de um bem a preços inferiores aos do mercado de origem ou abaixo do custo de produção).
O Brasil foi acusado pela indústria siderúrgica norte-americana e pelo Departamento de Comércio de cometer ambos os "pecados", mas apenas o Japão, a Coréia do Sul, a Rússia e a Ucrânia foram citados no novo plano da Casa Branca.
O governo norte-americano também prometeu fiscalizar, com mais atenção, as importações de produtos siderúrgicos e até bloquear empréstimos de organismos financeiros internacionais (como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial) a países que possam utilizar os recursos para subsidiar a indústria de aço. Nenhum dos dois órgãos dá empréstimos para esses fins, mas o alerta é uma forma de dmostrar que haverá pressão política, se necessário.
"Mesmo que o plano tenha um impacto apenas político é sempre preocupante constatar que um setor da economia tem capacidade de pressionar o governo para que adote medidas ou um discurso protecionista", disse Dunn.
Apesar de serem poucos (representam 25% do total de empregados das indústrias que se beneficiam das importações de aço barato), os trabalhadores das usinas siderúrgicas norte-americanas estão concentrados em quatro Estados, onde seu peso eleitoral é grande: Pensilvânia, Ohio, Michigan e Indiana.
Desde setembro, eles têm exigido do governo e do Congresso medidas para proteger seu mercado. Essa ofensiva prejudicou os exportadores brasileiros de laminados a quente (eles fizeram um acordo com o governo dos EUA limitando as vendas, para manter o acesso ao mercado).
Nesse momento, o Departamento de Comércio está investigando as exportações brasileiras de laminados a frio, para determinar se há dumping ou subsídio. A investigação será concluída em outubro
mas é provável que nas próximas semanas o governo declare que existem "circunstâncias críticas", um mecanismo que permite aplicar direitos antidumping até 90 dias antes de a decisão final ser tomada.

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