Estados Unidos repudiam assassinato de Argaña Da correspondente Monica Yanakiew
Washington, 23 (AE) - Em comunicado divulgado à imprensa, o governo norte-americano condenou nesta terça-feira (23) o assassinato do vice-presidente do Paraguai, Luis María Argaña, e avisou que "não há lugar para violência num processo democrático".
A exemplo de Brasil, Argentina e Uruguai (os três sócios paraguaios da união aduaneira Mercosul), os Estados Unidos enfatizaram a necessidade de se ter calma no meio de uma séria crise política e econômica.
"Exortamos os paraguaios a renunciar ao uso de violência como meio de resolver diferenças políticas", dizia o comunicado.
Apesar de todos temerem a reação das diferentes forças políticas paraguaias nos funerais de Argaña, os norte-americanos estavam muito mais preocupados com o envolvimento de suas tropas no conflito étnico entre sérvios e albaneses na antiga Iugoslávia.
Apesar de terem expressado sua preocupação com a manutenção da democracia no Paraguai, os EUA ainda não caracterizaram o assassinato de Argaña como um crime político. Os governos brasileiro, argentino e uruguaio tiveram o mesmo cuidado.
Tanto é assim, que divulgaram comunicados separados. Se tivessem indícios convincentes de que se tratava de uma conspiração para resolver o conflito entre facções do governo, que imobilizou o Paraguai e agravou a crise econômica, os membros do Mercosul teriam divulgado um documento único.
A preocupação de todos - especialmente dos brasileiros e argentinos, que dividem com o Paraguai duas hidroelétricas - é a reação da população amanhã. Apesar de ser do mesmo partido Colorado que o presidente Raul Cubas Grau, Argaña era o símbolo da oposição ao governo. Ele nunca tolerou o ex-general Lino Oviedo (que teria sido eleito presidente, caso não fosse acusado de tentativa de golpe contra o ex-presidente Juan Carlos Wasmosy).
Por enquanto, o episódio do Paraguai está sendo visto como um caso isolado. Mas alguns já começam a se preocupar com a imagem da região neste fim de século: além do Paraguai, existem problemas políticos na Colômbia e no Equador. E a crise econômica brasileira também afeta os vizinhos: Ciudad del Este, na fronteira do Paraguai com o Brasil, está tendo um prejuízo de 70% em relação ao ano anterior.





