Lima, 28 (AE-AP) - Em meio às denúncias da oposição de que a inscrição da candidatura do presidente peruano, Alberto Fujimori
para um terceiro mandato consecutivo consistia em um "golpe de Estado", um alto funcionário do Departamento de Estado norte-americano, que pediu para não ter o nome divulgado, declarou que os Estados Unidos estão atentos ao processo eleitoral peruano.
"Somos neutros quanto a qualquer governo que se eleja num processo livre e justo", disse o funcionário, "mas é preciso ressaltar que não somos neutros em relação a esse processo: só eleições transparentes podem legitimar um governo ante seu povo e a comunidade internacional."
O funcionário norte-americano acrescentou que cabe às instâncias competentes peruanas decidir sobre temas constitucionais ou legais.
Fujimori chegou ao poder em 1990, por arrasadora maioria, superando o escritor Mario Vargas Llosa. Atropelou a Constituição em abril de 1992, dissolvendo o Congresso e o Judiciário e assumindo poderes especiais. A Carta Magna redigida após o "autogolpe" permitia a reeleição do presidente da república por uma única vez. Utilizando-se desse dispositivo, Fujimori reelegeu-se em 1996.
No entender da oposição, Fujimori não reuniria condições legais para concorrer a um terceiro mandato consecutivo. Mas depois de uma consulta feita por membros do partido governista, o Tribunal Constitucional - cujos membros são nomeados pelo presidente da república - deu luz verde para que Fujimori concorresse.
De acordo com a interpretação dos juízes, o primeiro mandato de Fujimori foi sob vigência da Constituição anterior e não deve ser considerado para efeito de reeleição.
Depois de vários meses, Fujimori anunciou na segunda-feira sua intenção de candidatar-se, para evitar que "as conquistas de dez anos de governo se percam em experiências políticas que fracassaram anteriormente".
Horas depois, o Jurado Nacional de Eleições (JNE) acatou a inscrição. Na chapa de Fujimori aparece como vice o ex-chanceler Francisco Tudela, feito refém do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA) na tomada da Embaixada do Japão, em dezembro de 1996.
"Temos de demonstrar que, dentro ou fora do país, há grupos de valiosos democratas que lutam contra essa nova imposição autoritária do atual regime", disse, em Paris, o peruano Javier Pérez de Cuéllar, ex-secretário-geral da ONU.
Além de exortações por manifestações populares de protesto, partidos de oposição do Peru estão entrando com pedidos de anulação da candidatura Fujimori no JNE.

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