Estados Unidos avaliam pacote de ajuda à Colômbia
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de agosto de 1999
Por Ary Moleon 
Washington, 23 (AE-AP) - O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, autorizou o desenvolvimento de um plano para a Colômbia aparentemente destinado a deixar insatisfeitos seus críticos conservadores no Congresso e já desatou o antagonismo dos setores liberais nos quais baseia sua ação.
O porta-voz da Casa Branca, Joseph Lockhart, confirmou a ação, explicando que "ainda não se adotou nenhuma decisão sobre o aumento da assistência militar". Lockhart disse que Clinton e seus assessores "consideram que a Colômbia encara um verdadeiro desafio em sua economia assim como sua luta contra as drogas e as guerrilhas, que são difíceis de separar".
Mesmo assim, acrescentou, "como temos dito publicamente, consideramos boa a gestão do presidente Andrés Pastana e estamos analisando o aumento da assistência, mas até o momento nenhuma decisão foi tomada".
"A questão é se atuaremos a tempo de evitar um desastre ainda maior", disse o congressista republicano John L. Mica.
"Os Estados Unidos estão embarcando na pior de todas as opções," disse Winefred Tated, da fundação liberal WOLA. "Não alcançarão os objetivos traçados."
O jornal The Washington Post informa hoje sobre um suposto complô abortado contra o presidente colombiano Andrés Pastrana em maio passado. O diário não informa quem idealizou a operação, da qual não havia informações anteriores. Um trecho sobre a situação colombiana diz: "As concessões aos rebeldes, inclusive a ocupação de uma zona desmilitarizada, produziram tamanho mal-estar no exército que em maio passado o ministro de Defesa Rodrigo Lloreda renunciou a seu cargo em protesto, mencionando um complô fracassado por parte de altos oficiais militares."
O jornal também informou hoje que a deterioração da situação colombiana foi levada pela primeira vez ao conhecimento de Clinton quarta-feira passada pelo secretário do conselho de segurança nacional, Samuel Berger e pelo subsecretário de Estado para Assuntos Políticos, Thomas R. Pickering.
Os dois funcionários foram encarregados de coordenar a ação que caberia ao Pentágono, à Tesouraria, à Secretaria de Estado e à Direção de Controle de Drogas (DCD). "O debate dentro do governo é intenso," disse o diretor da CDC, general Barry R. McCaffrey.
A Tesouraria foi chamada para orquestar o apoio para que o Fundo Monetário Internacional (FMI) facilite à Colombia cerca de US$ 3 bilhões para deter a precipitada deterioração da economia colombiana, que para alguns cidadãos é mais importante do que a ocupação de terras distantes por parte dos insurgentes.
A negociação junto ao FMI poderia se concretizar durante a assembléia anual da entidade, prevista para 21 de setembro.
A parte mais sensível do programa é a assistência militar direta que atualmente chega a US$ 289 milhões. Mas os colombianos desejam elevá-la a US$ 500 milhões.
A quantia aludida por McCaffrey - US$ 1 bilhão - relaciona-se a um programa regional contra as drogas que não foi detalhado, mas que só beneficiaria parcialmente a Colômbia.
O problema que preocupa os altos escalões do governo é a delimitação entre a luta contra as drogas e a luta contra as guerrilhas, cujo controle de grandes regiões no país não só aumentou seu peso político, mas a produção de coca necessária para a preparação da cocaína exportada aos Estados Unidos.
As forças regulares colombianas não puderam manter o controle da zona ocupada pelos guerrilheiros. Tate disse que "afiançar as forças regulares é afiançar uma instituição abusiva, corrupta que resistiu ao controle civil e ao respeito aos direitos humanos".
McCaffrey disse que, "a menos que as forças regulares se façam perceber na zona, os cultivos de coca seguirão crescendo e as guerrilhas continuarão sendo financiadas".


