Estados querem autonomia sobre presos
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quarta-feira, 11 de julho de 2001
Demétrio Weber Agência EstadoDe Brasília 
Governos estaduais querem poder transferir presos sem a necessidade de autorização da Justiça. Para isso, vão propor alteração na Lei de Execução Penal. Em momentos de urgência, como rebeliões e brigas com consequências imprevisíveis, a decisão judicial às vezes chega tarde, argumentou ontem o secretário da Administração Penitenciária de São Paulo, Nagashi Furukawa.
A proposta foi aprovada por representantes de 17 Estados em encontro do Fórum Nacional de Dirigentes Estaduais de Sistemas Prisionais, que é presidido por Furukawa, no Ministério da Justiça, em Brasília. Eles querem também mudar o Código de Processo Penal para permitir que detentos sejam interrogados nos próprios presídios, evitando o deslocamento até o juiz.
Em São Paulo, a secretaria já pode deliberar sobre a transfência de presos sem ouvir a Justiça. A decisão foi tomada pela Corregedoria-Geral de Justiça, segundo Furukawa. O administrador é quem sabe qual a melhor penitenciária para o preso, argumentou.
A exigência de autorização judicial serve para coibir atos discricionários contra os direitos dos detentos e casos de corrupção, dentro da máquina governamental, para privilegiar presos na escolha da penitenciária.
Mas, segundo o secretário, os detentos podem recorrer à Justiça contra transferências descabidas. Ele defendeu a definição de normas claras de remoção, no âmbito de cada governo estadual, para evitar a corrupção.
Convencido de que a medida deve ser adotada com urgência em todo o País, Furukawa propôs a edição de medida provisória sobre o assunto. Mas técnicos do Ministério da Justiça informaram que isso poderia ser considerado inconstitucional. Diante disso, o fórum optou por enviar projeto ao Congresso.


