Brasília, 16 (AE) - Os estados e os municípios foram responsáveis pelo superávit primário (receita menos despesas) de R$ 379 milhões nas contas do setor público em maio. Enquanto o governo federal aumentou suas despesas e saiu de um resultado positivo de R$ 1,41 bilhão, em abril, para um saldo negativo de R$ 9 milhões em maio, os governos regionais fizeram o caminho inverso no mesmo período. Saltaram de um déficit de R$ 190 milhões para um superávit de R$ 387 milhões. Apesar do resultado positivo, maio registrou o pior desempenho do setor público no ano.
Há três semanas o comportamento das contas do governo federal tumultuou o mercado. Na época, o Tesouro Nacional divulgou um resultado deficitário de R$ 796 milhões para maio. Por uma diferença na metodologia, o mesmo resultado virou positivo no total de R$ 253 milhões no cálculo do Banco Central.
Segundo explicou o chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes, enquanto o Tesouro faz os cálculos considerando a diferença entre receitas e despesas, o BC avalia a variação da dívida. São os chamados conceitos "acima da linha", adotado pelo Tesouro, e "abaixo da linha", calculado pelo Banco Central.
"É como um cheque que, quando é emitido se anota o valor no canhoto, mas quem recebeu ainda não descontou o cheque, é o caso do Tesouro", explicou Lopes. "No cálculo do Banco Central só se registra o cheque quando ele é compensado."
Outro detalhe é que, no conceito de governo central usado pelo Tesouro, não são consideradas as estatais incluídas no conceito do BC. A diferença de R$ 796 milhões negativos para os R$ 253 milhões positivos, no entanto, foi calculada sem as estatais.

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