Estados darão recursos para Minas combater aftosa
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quinta-feira, 18 de março de 1999
Por Renato Andrade 
Belo Horizonte, 19 (AE) - Minas Gerais receberá cerca de R$ 2,9 milhões dos estados de São Paulo, Mato Grosso, Goiás, Paraná e do Distrito Federal para complementar seu orçamento para realizar todo o programa de controle de aftosa este ano. O governo mineiro deve repassar ao Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), órgão responsável pelo controle de zoonoses em Minas, cerca de R$ 2,1 milhões, que serão utilizados na montagem e preparação dos postos de controle nas fronteiras do Estado. O orçamento total do programa é de R$ 5 milhões.
"O restante do dinheiro será rateado pelos estados que compõem o Circuito Pecuário Centro-Oeste", explica o diretor geral do instituto, o ex-secretário adjunto de Agricultura, Eduardo Campelo. A decisão tem como objetivo principal evitar que o programa de controle da zoonose seja interrompido em Minas.
Esta interrupção poderia comprometer todo o Circuito Centro-Oeste, que tem até o final deste ano para enviar os relatórios de controle da zoonose à Organização Internacional de Epizootiase (OIE), para que os estados componentes possam receber a certificação de área livre de aftosa com vacinação.
Indefinição - Apesar de evitar polemizar o assunto, os técnicos do IMA estão preocupados com a indefinição por parte do governador Itamar Franco (PMDB) com relação à pasta de Agricultura. Até agora o governador não indicou nenhum nome para a pasta, que tem sido conduzida pelo secretário-adjunto, o ex-reitor da Universidade Federal de Viçosa, Antônio Lima Bandeira. "Não estamos numa situação confortável, mas não estamos negligenciando a situação", argumenta Campelo.
O próprio IMA ainda não empossou seu novo presidente. O governador mineiro indicou para o cargo Nivaldo José de Andrade, possível futuro candidato à prefeitura da cidade histórica de São João Del Rei nas eleições municipais do próximo ano.
O problema é que o indicado não tem qualificação técnica para presidir o órgão, conforme exige o estatuto do IMA. "O governador quer agora que façamos uma mudança no estatuto para deixar que seu indicado assuma o cargo", explica uma fonte do IMA que não quis ser identificada.
Fronteiras - O diretor geral do IMA, Eduardo Campelo, e o responsável pelo departamento de defesa sanitária animal, Ailton Rodrigues Neto, apresentaram ontem (18) o novo cronograma para fechamento das fronteiras do estado para controle da aftosa. O prazo foi ampliado do próximo dia 31 para o dia 30 de junho.
Até junho o IMA terá que instalar 34 postos de fiscalização fixos e outros 12 móveis nas fronteiras do estado. Para esta operação o governo estará colocando à disposição do instituto os R$ 2,1 milhões. A partir de julho o IMA terá que iniciar a coleta de amostras para exame sorológico dos animais que estão dentro da área mineira do Circuito Pecuário Centro-Oeste. Dos 10 milhões de bovinos existentes nesta área, cerca de 10 mil amostras devem ser retiradas.
O IMA terá até setembro para fazer a avaliação dos exames iniciar a elaboração do relatório que será encaminhado à OIE. Os animais mineiros que pertencem ao Circuito Pecuário Leste - cerca de 8 milhões de bovinos - passarão pelas mesmas etapas dentro de um ano. Ao todo o gado mineiro é de cerca de 18 milhões de cabeças.
Apesar de todos os problemas, Ailton Rodrigues é taxativo com relação ao cumprimento do cronograma. "Tem que dar tempo para cumprirmos, não podemos recuar."


