Estado terá de indenizar vítima de bala perdida
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terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Davi Baldussi <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - O Estado do Paraná foi condenado a indenizar a família da adolescente Daniela Aparecida Dias da Silva, que foi baleada na cabeça em um tiroteio ocorrido em março de 2008 na Zona Norte de Londrina. A decisão publicada pelo Tribunal de Justiça do Paraná na última semana prevê uma indenização de aproximadamente R$ 220 mil (valores corrigidos).
Segundo o advogado da família, Guilherme Espiga, a investigação na época havia concluído que o tiro que acertou Daniela partiu da arma de um policial militar. ''O direito à indenização era fato, a discussão era sobre quem teria direito a esta indenização, que foi dada ao pai, a mãe e aos três irmãos, além da vítima.''
Claudemir Aparecido Dias da Silva, pai de Daniela, chegou a ser preso e algemado pelos policiais militares ao tentar socorrer a filha, de 11 anos na época. Ele teria sido confundido com os bandidos e acusado de ter feito os disparos. ''O erro perpetrado pelos agentes estatais é inegável, sendo irrelevante o fato de o autor não ter sido detido por longo período ou conduzido à delegacia. Esses fatos ecoam, mais uma vez, como um alarme a respeito do completo despreparo da polícia militar no exercício de seu mister'', diz trecho da decisão do juiz Espedito Reis do Amaral.
Uma tia do pai de Daniela, Dirce Fátima Alencar, disse ontem que a família ainda não estava sabendo da decisão. ''Eu tinha perguntado para ele (o pai) sobre isso, mas ele não sabia de nada. A gente estava até estranhando como tudo estava silenciado'', comentou. A reportagem não localizou o pai nem a mãe de Daniela para comentar a decisão.
Segundo o advogado da família, a decisão do TJ confirmou a condenação da 4 Vara Cível de Londrina, a qual havia estipulado uma indenização de R$ 180 mil. O valor será reajustado em 6% ano e o montante atual seria de aproximadamente R$ 220 mil.
Daniele foi atingida na cabeça durante um tiroteio entre policiais militares e fugitivos no dia 16 de março de 2008, próximo ao Sítio São Carlos, na Zona Norte, onde a família vivia. Ela chegou a ficar 11 dias internada numa Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). ''Hoje ela tem 15 anos e vive com uma placa na cabeça'', contou a tia.
Ainda cabe recurso para decisão do TJ. A reportagem entrou em contato com a Procuradoria Geral do Estado, mas não obteve retorno.


