Estado tem 1.641 pessoas à espera de um órgão
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quinta-feira, 27 de setembro de 2018
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
Dados do SET/PR (Sistema Estadual de Transplantes do Paraná), coletados em agosto de 2018, mostram que 1.641 paranaenses estão na fila de espera por um transplante. A maior demanda é por rim, com 1.284 pessoas cadastradas (ativos e semiativos), seguido de fígado (216), córneas (70), coração (35), rim/pâncreas (27) e pâncreas (9).
De acordo com a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde), o paciente ativo é aquele apto para o transplante, enquanto que o semiativo está temporariamente inapto. Nesse caso, o paciente não participa das listas de seleção para distribuição dos órgãos, mas mantém (por até 365 dias) a data de inscrição sem interrupção na contagem do tempo em lista, ao voltar ao status "ativo".
Em todo o País, até o fim do ano passado, cerca de 32,4 mil pacientes adultos estavam na fila à espera de algum órgão. O publicitário Alexandre Barroso, 59, que mora em Londrina, já esteve nessa fila e hoje percorre por diversos Estados para contar sua história e sensibilizar as pessoas sobre a importância da doação de órgãos.
Ele foi transplantado três vezes, desde que descobriu tardiamente que tinha hepatite C. "Isso foi em 2008 e o médico disse que eu teria sete dias de vida. Teoricamente, eu tinha que encontrar um fígado em sete dias. Isso é pensar em morte todos os dias e pensar que não vai dar, mas aprendi que querer é fundamental", conta.
Ele lutou durante dois anos, tempo que ficou internado, e, em 2010, teve o primeiro transplante de fígado. "Não deu certo e oito meses depois acabei perdendo o fígado e os rins. Voltei para a fila e um ano depois, fui abençoado com uma doação de duplo, de fígado e rim", lembra.
Questionado sobre a mensagem que deseja transmitir às pessoas, Barroso propõe um exercício. "Em primeiro lugar, eu digo às famílias para se colocarem do outro lado, a partir da seguinte reflexão: se você tivesse em uma situação de falência múltipla de órgãos e precisasse de um órgão, você aceitaria receber um órgão para salvar sua vida?"
Barroso é voluntário e conversa com diferentes públicos por meio do projeto "Asas do Bem", lançado em 2014 pela Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), que também tem a proposta de enfatizar o papel da aviação para os transplantes. O programa é ligado ao MS (Ministério da Saúde) e às Centrais Estaduais de Transplante.
"Quando você tem um órgão que é perecível, como o coração que tem quatro horas de duração, qualquer aeronave que estiver na pista tem como prioridade carregar esse órgão para outro Estado ou cidade. Isso é muito importante", diz Barroso.
O transporte aéreo gratuito de órgãos é realizado pelas empresas (Avianca, Azul, Gol e Latam) desde 2001. Só no ano passado, cerca de 9.000 órgãos e tecidos foram transportados por essas companhias aéreas.(M.O)


