Estado retoma aulas com menos turmas no ensino médio noturno

Sem autorização para a oferta de vagas, alguns colégios deixaram de atender alunos do primeiro ano; governo aposta em remanejamento para otimizar ensino

Viviani Costa - Grupo Folha
Viviani Costa - Grupo Folha

Alunos da rede estadual de ensino voltam às aulas nesta quarta-feira (5). Porém, nem todas as escolas devem ofertar o primeiro ano do ensino médio no período noturno. A baixa procura de interessados e os altos índices de evasão escolar estão entre as justificativas do governo para remanejar vagas antes destinadas a essas turmas.

Mais de 1 milhão de alunos retornam às aulas nesta quarta-feira (5)
Mais de 1 milhão de alunos retornam às aulas nesta quarta-feira (5) | Gustavo Carneiro
 


Pelo menos duas escolas de Londrina consultadas pela reportagem deixaram de atender alunos à noite nessa etapa do ensino. No Colégio Estadual Hugo Simas, região central, as turmas eram formadas por uma média de 30 a 35 estudantes. Em 2018, a quantidade de interessados possibilitou a abertura de duas salas no período. No ano passado, uma turma foi aberta. Neste ano, há apenas um cadastro de interessados, já que o colégio não obteve autorização para efetivar as matrículas.




No Colégio Estadual Olympia Morais Tormenta, na zona norte, aproximadamente, 40 alunos foram matriculados no ano passado no primeiro ano do ensino médio noturno. Em 2020, os novos estudantes foram incluídos em uma lista de espera.


Para o presidente da APP-Sindicato (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná) em Londrina, Márcio André Ribeiro, a situação é lamentável. “Isso é extremamente preocupante porque nós sabemos da necessidade desses alunos e sabemos que o Estado tem a obrigação de prestar esse serviço. Entendemos que quem justamente precisa das aulas à noite são as classes sociais menos favorecidas. Muitos alunos precisam trabalhar durante o dia e só resta essa possibilidade para concluir o ensino médio”, ressalta.


Ribeiro lembra ainda que muitas matrículas do período noturno são realizadas nas primeiras semanas de aula quando os alunos, percebendo a movimentação nos colégios, decidem retomar as atividades. Segundo ele, o ensino noturno está sendo encerrado aos poucos pelo governo do Estado.


"Quando você não permite a abertura de uma turma do primeiro ano, você está condenando aquele colégio a encerrar o ensino noturno nos anos seguintes. Ano que vem, já não haverá segundo ano e nem terceiro ano no próximo”, alerta.


De acordo com o Núcleo Regional de Educação em Londrina, 21 escolas da cidade mantêm o primeiro ano noturno ainda com vagas disponíveis para alunos interessados. Outros 16 colégios da região de Londrina também obtiveram permissão para a abertura de turmas. No entanto, a quantidade de escolas que deixou de ofertar vagas não foi informada.


A chefe do Núcleo Regional de Educação em Londrina, Jéssica Pieri, explica que havia muitos colégios abertos na mesma região da cidade com poucos alunos em sala de aula. Dessa forma, o governo do Estado optou por otimizar a abertura de turmas.


Mesmo com a mudança, Pieri garante que todos os alunos interessados serão matriculados. “Vamos atender a todos, porém de uma forma equilibrada. Tinha uma evasão muito grande no período noturno e os pais querem que os alunos estudem durante o dia. Havia lista de espera pelo ensino médio diurno”, justifica. A expectativa é que as vagas ociosas, que antes estavam no período noturno, sejam remanejadas para as escolas maiores que poderão atender mais alunos durante a manhã ou tarde.


Em nota, a Seed (Secretaria de Estado da Educação) ressalta que “o processo de abertura ou união de turmas respeita as funções da administração pública, que devem ser desempenhadas de forma a atender ao interesse público, na melhor relação custo-benefício, tendo como fator indispensável ao desenvolvimento da atividade pública, a produtividade e a economicidade”.


“Todos os alunos da rede estadual, tanto os de continuidade quanto os novos, têm vaga garantida em escola indicada por georreferenciamento (instituição mais próxima ao endereço fornecido pelo pai ou responsável)”, diz a nota.


Em Londrina, os estudantes e responsáveis interessados em uma das vagas do primeiro ano do ensino médio noturno devem procurar o Núcleo Regional de Educação para efetivar a matrícula. Para fazer parte do cadastro de interessados, os estudantes com menos de 18 anos precisam apresentar autorização dos pais ou responsáveis para frequentar as aulas durante a noite. As escolas consultadas pela reportagem também mencionaram a necessidade de comprovação de um vínculo trabalhista para justificar o estudo noturno. Mas, de acordo com o Núcleo Regional de Educação, a documentação não é obrigatória.


O Núcleo Regional de Educação fica na avenida Maringá, 290. O telefone para contato é (43) 3371-1300. O horário de atendimento é das 8h às 18h.


Mais de 1 milhão de alunos voltam às aulas 


Nas 2.126 escolas estaduais do Paraná, mais de 1 milhão de alunos retornam às aulas nesta quarta-feira (5). O secretário da Educação e do Esporte, Renato Feder, destacou que o período de férias escolares dos alunos é de trabalho intenso para a rede de educação. “A preparação é intensa. As escolas receberam uma cota extra do Fundo Rotativo para fazer os últimos ajustes, fizemos a entrega do primeiro lote da merenda escolar e os reparos necessários na infraestrutura. O planejamento pedagógico é enorme, com o alinhamento das ações e dos planos de aula. Estamos prontos para um ano letivo de muito aprendizado”, afirmou. 


A primeira grande ação pedagógica do ano letivo de 2020 será a Prova Paraná, que acontece no dia 18 de fevereiro em todas as escolas da rede estadual e também nas escolas das redes municipais que optaram pela adesão ao programa. Participam da Prova Paraná todos os estudantes do 5º ao 9º ano do ensino fundamental e os alunos do 1º ao 4º ano do ensino médio. A prova terá questões de Língua Portuguesa, Matemática e Língua Inglesa. A previsão é que cerca de 1,2 milhão de alunos paranaenses façam a Prova Paraná. 




Entre as novidades do ano letivo estão as aulas de educação financeira, que beneficiarão mais de 600 mil alunos no projeto-piloto, feito em parceria com o Banco Central. A abordagem da educação financeira se dará de forma transversal, integrando o conteúdo a disciplinas como Matemática e Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. 

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