Curitiba – Com a convicção de que o ensino em tempo integral é um caminho sem volta, a Secretaria da Educação do Paraná implantou a modalidade em três escolas este ano, beneficiando 4,2 mil estudantes. Os colégios Dario Vellozo, em Londrina, Elenir Linke, em Cantagalo, e Júlia Wanderley, em Cascavel, são os primeiros a oferecer ensino com uma carga semanal de 40 horas. Nesse tempo, o conteúdo exigido pelo Ministério da Educação se soma a disciplinas diferenciadas, como inglês e espanhol, produção textual, protagonismo juvenil e mundo do trabalho. "Todo o conteúdo, bem como a aceitação do período integral, foi definido com a comunidade de cada escola e cada responsável assinou uma ata concordando em matricular o aluno no turno único", declarou a secretária estadual da Educação, Ana Seres Trento Comin.
Segundo ela, as primeiras impressões são "positivas", já que foram constatados benefícios como "a melhora no aprendizado" e a "redução da reprovação e da evasão escolar". A evasão hoje na rede estadual de ensino público é da ordem de 30%, índice considerado alto. O trabalho de busca ativa desses alunos mostra que fatores externos, como necessidade de auxiliar na renda familiar ou gravidez, comprometem a permanência de muitos estudantes na escola.
Hoje, a rede estadual de ensino tem 1 milhão de alunos matriculados, 100 mil a menos do que em 2015. A educação em jornada ampliada, segundo Ana Seres, será gradativamente implementada nas demais instituições do Estado. "Minha intenção é dobrar o número de escolas até o ano que vem. Acredito que gradualmente o turno único se tornará realidade, tanto por conta da demanda por educação de qualidade em todo o País, quanto pela redução de matrículas, em função da queda na natalidade que, futuramente, deixará vagas e professores disponíveis para atender ao turno único, que é estratégico para o desenvolvimento", ressalta. (M.M.)

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