Estado prioriza combate à dengue em 65 municípios
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segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Rubens Chueire Jr. <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Com a chegada da primavera e o aumento na incidência de chuvas e altas temperaturas, o alerta em relação à ocorrência de focos de dengue também cresce em todo o Estado. Por isso, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) definiu os municípios prioritários no combate à dengue em todo o Paraná já a partir deste mês. Das 65 cidades, nove têm população acima de 50 mil habitantes, entre eles Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu e Cascavel, e os outros 56 municípios tem população abaixo dos 50 mil habitantes. Estas cidades foram escolhidas com base no índice de infestação do último levantamento da doença no Estado. Os números registrados vão desde a primeira semana de agosto de 2010 até a última semana de julho de 2011, considerado o período mais crítico da doença.
No total, durante esses meses, o Estado registrou 65.649 notificações (casos suspeitos) por dengue, com 29.207 confirmações, sendo 28.511 casos autóctones e 696 casos importados. O restante, 27.009, foram descartados. Os últimos dados divulgados pela Sesa, referentes ao mês de agosto deste ano, apontam que no Paraná foram notificados 1.370 casos da doença, sendo 30 confirmados (27 autóctones e três casos importados).
As cidades em que a situação é mais preocupante, segundo a Sesa ficam em três regionais de saúde: a 18, em Cornélio Procópio, a 19, de Jacarezinho e a 17, de Londrina, no Norte Pioneiro e Norte do Estado, respectivamente. Nestas regionais foram registradas 14 mortes em decorrência da dengue de agosto de 2010 a julho deste ano.
Também foram constatados problemas em grande parte das 65 localidades, seja de estrutura ou recursos humanos para combater a doença. Entre os principais pontos, 40% dos municípios avaliados estão sem comitê gestor, 55% não têm integração dos agentes de combate de endemias com os agentes comunitários de saúde, 56,9% apresentam médio ou alto risco para ocorrência de epidemia de dengue, em 35,4% deles os agentes de combate de endemias não têm vínculo empregatício estável, 44,6% não têm local apropriado para armazenamento de insumos (inseticidas) e 38,5% não fazem triagem de pacientes aplicando roteiro preconizado.
''O que está acontecendo é um problema grave e o trabalho tem que ser coletivo. Foram repassadas orientações e o enfrentamento da dengue está cada vez mais forte. Temos que contar com o apoio das administrações municipais para que as informações se disseminem. Só se pode combater a doença quando sabemos a real situação dos municípios. Então, a transparência nos números é essencial'', destacou o secretário estadual de Saúde, Michele Caputo Neto.
De acordo com Sezifredo Paz, superintendente da Vigilância Epidemiológica da Sesa, a partir deste mês, a situação preocupa porque com o aumento do calor e das fortes chuvas, os focos de dengue tendem a aparecer com mais rapidez. ''Estamos de olho nos municípios que já apresentaram problemas com a doença no ano, mas não podemos esquecer dos demais. Não é porque a incidência de dengue foi menor em determinada cidade que a atenção dedicada tem que diminuir, pelo contrário. Estamos intensificando as ações para evitar uma nova epidemia'', afirmou.


