'Estado não se prepara para recuperar infrator'
Giovani Ferreira
De Curitiba
Promotores de Justiça estão acusando o poder público de subestimar o problema do menor infrator no País. Para o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Luiz Antônio Marrey, ao desconsiderar a gravidade da questão no passado, hoje os estados enfrentam dificuldades gravíssimas no trato com o menor. Marrey, que está em Curitiba participando do 13º Congresso Nacional do Ministério Público, explica que os Estados não possuem estrutura e não se preparam para recuperar de forma digna e eficiente esse grupo de infratores.
Na avaliação de Marrey, sem investimento não haverá solução. É preciso investir para evitar que o sistema continue deficiente e dificultando ainda mais a socialização dos menores. De acordo com o procurador, os estados precisam priorizar a construção de unidades de recuperação que tenham um fundamento sócio-educacional.
Apesar de atribuir ao Estado a responsabilidade pelo problema, Marrey também cobra a participação da sociedade no processo de correção dos menores. Para Marrey, é preciso apoiar essa população excluída, acabando com a discriminação e promovendo a integração desses menores, que para deixar a vida infracional precisam de oportunidades de emprego e trabalho.
Um exemplo de recuperação apontado pelo procurador é o Educandário São Francisco, em Piraquara, que abriga menores infratores. Mesmo não conhecendo pessoalmente a instituição, Marrey disse ter ótimas referências do trabalho desenvolvido no Paraná, que já está sendo apontado como modelo no tratamento de menores.
Com uma capacidade de 230 detentos, o educandário oferece cursos profissionalizantes aos internos, que têm a chance de aprender noções de elétrica, alfaiataria, computação e marcenaria. Eles ainda participam de cursos na área de panificação e do cultivo de hortifrutigranjeiros. Os diretores da instituição acreditam que com uma oportunidade de trabalho quando deixam a detenção, esses menores conseguem ficar mais distantes do crime.
Os números revelam que apenas dois em cada 10 menores que passam pelo educandário voltam a cometer atos infracionais. Dependendo do caso, eles podem permanecer internados por um período que varia de seis meses a três anos.





