Curitiba- O procurador geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, disse ontem que o Paraná não pretende cumprir o mandado de reintegração de posse e descartou a possibilidade de intervenção federal para o cumprimento da ordem judicial. Segundo Botto de Lacerda, os proprietários da fazenda desistiram da desocupação quando resolveram vender a área da Fazenda Sete Mil há quase dois meses. ''Os proprietários mostraram desinteresse de permanecer na área. Eles deram uma autorização de compra para que o Incra verifique os valores e faça a compra do terreno para o assentamento definitivo dos trabalhadores rurais'', ponderou ele.
Botto de Lacerda disse que o STJ julgou o pedido de liminar porque não tinha conhecimento da oferta de compra do terreno. ''Há uma incompatibilidade da decisão tomada pelo STJ e da postura dos proprietários que querem vender o imóvel. Para mim, o episódio está superado já que eles (os donos da terra) demonstraram claramente que não pretendem permanecer com a fazenda'', acrescentou o procurador.
O superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Celso Lisboa de Lacerda, confirmou as negociações para a compra da Fazenda Sete Mil. De acordo com ele, os proprietários teriam feito uma oferta de R$ 120 milhões pelo terreno onde estão acampados os sem-terra. As análises, que começaram há 30 dias, devem ficar prontas em duas semanas. ''Provavelmente faremos uma contraproposta. Se eles aceitarem, o imóvel vai para uma audiência pública e depois aguarda apenas a liberação dos valores pelo Incra em Brasília'', afirmou Celso Lacerda.
O Incra acredita que em quatro meses a área já esteja comprada. ''A partir da compra, poderemos iniciar o assentamento efetivo das famílias, com infra-estrutura adequada'', disse.
O advogado Antonio Carlos Ferreira negou ontem que os proprietários da fazenda tenham oferecido a Fazenda Sete Mil para o Incra. Ele desafiou Botto de Lacerda e Celso Lacerda para que mostrem as documentações encaminhadas pela família e que demonstrem que o terreno realmente está à venda. ''Ninguém ofereceu terra ao Incra. Não existe carta de oferecimento de terra. É mentira! O Incra está tentando comprar as terras e dissemos que eles poderiam fazer o preço. Mas eles têm que estar cientes que não somos os proprietários da Araupel (que negociou a venda de parte de sua área para assentamento de famílias que continuam acampadas no local). Primeiro queremos a posse da fazenda. Depois até poderemos negociar'', alertou o advogado.
Ferreira alertou o governo do Estado a ficar atento. ''Eles precisam imediatamente cumprir essa reintegração de posse. É bom que o governo do Estado se preocupe com o que vem por aí'', complementou.(L.P.)

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