Estado e ministro condenam invasão
Curitiba - A ocupação da Fazenda Modelo da Embrapa pelo MST, ontem, gerou repercussões negativas nos governos estadual e federal. Pela primeira vez desde que criou a Comissão Especial de Mediação das Questões da Terra, há cerca de dois meses, o governador Roberto Requião (PMDB) autoriza uma desocupação.
A fábrica da Monsanto, por exemplo, ocupada há duas semanas pelo MST, já obteve liminares de reintegração de posse, mas o governo estadual ainda não autorizou a ação. Os proprietários da Fazenda Três Marias, em Manoel Ribas também obtiveram reintegração de posse da área invadida há 18 dias, mas ela ainda não foi realizada. De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), há 90 acampamentos no Estado, onde vivem 12.460 pessoas.
O presidente da comissão de mediação, o secretário de Trabalho, Emprego e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann, e o comandante-geral da Polícia Militar (PM) no Paraná, coronel David Pancotti, iriam se informar sobre a decisão do governador no início da noite de ontem. Na próxima semana, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, deve vir ao Paraná.
O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, chamou a ocupação de equívoco lamentável. ''A invasão acontece num momento em que a Embrapa está voltando sua prioridade para o pequeno produtor'', lamentou Rodrigues. A Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) divulgou nota oficial condenando a ação dos sem-terra.
A Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) da Câmara repudiou em nota a ocupação da fazenda. No texto, assinado pelo deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR), a frente chama a invasão de mais uma ação irresponsável do MST e vê uma afronta às instituições governamentais levando a Frencoop a questionar a veracidade dos objetivos deste movimento. (R.F. com Agência Estado)





