Curitiba O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar) foi condenado, na última quarta-feira, pela 2 Câmara Cível do Tribunal de Justiça (TJ), a pagar indenização de R$ 26 mil, por dano moral, a uma mulher de Curitiba diagnosticada erroneamente como portadora do vírus HIV. A decisão foi divulgada ontem, no site do Tribunal de Justiça, na Internet. Segundo o TJ, a indenização deverá ser paga pelo Instituto de Saúde do Paraná (ISP), autarquia estadual a qual é subordinado o Hemepar, pelo abalo provocado durante o período de seis meses de incerteza quanto a ser portadora do HIV.
Em setembro 1999, a auxiliar de enfermagem N.M.M., hoje com 42 anos, fez o exame para saber se tinha o vírus transmissor da Aids quando doou sangue ao Hemepar. Alguns dias depois, veio por carta o resultado que abalaria a vida de sua família ela é casada e tem dois filhos adolescentes. A carta solicitava sua presença porque os exames detectaram uma ''sensibilidade''. ''Foi muita agonia'', conta N.
Ela foi aconselhada, então, a realizar nova coleta cujo resultado acusou reagente positivo. O procedimento foi repetido em dezembro quando foi confirmado o diagnóstico através do exame Western Blot (WB). Desesperada, N. questionou a confiabilidade dos exames ou possível troca de amostras, realizando nova coleta que teve resultado ''indeterminado''.
Em fevereiro de 2000 houve novo exame de N. e, também de seu marido, com resultados negativos para HIV. Diante da divergência de diagnósticos, nova coleta foi realizada em um laboratório particular (pago pelo Hemepar) e encaminhada para análise em São Paulo que confirmou o resultado negativo. ''Ao todo fiz sete exames'', lembra a auxiliar de enfermagem.
O advogado da vítima, José Cesar Valeixo Neto, reclama que o primeiro exame realizado, o ''Elisa'', é mais barato e com maiores chances de apresentar falso positivo. Na opinião dele, a Secretaria de Saúde deveria adotar exames mais precisos, embora mais caros. Cinco anos depois, a família ainda não sabe o que deu errado nos primeiros testes.
N. conta que recorreu à justiça porque se preocupa com outras pessoas que recebem falsos resultados positivos e não insistem em realizar outros exames mais sofisticados e precisos para comprovar ou descartar a presença do vírus. ''Graças a Deus eu consegui provar que não tinha Aids'', comemora.

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