Estado é cobrado a frear desmatamento
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terça-feira, 16 de agosto de 2016
Diego Antonelli<br>Folhapress 
Curitiba - A Fundação SOS Mata Atlântica entrou nesta segunda (15) com pedido de moratória (uma espécie de suspensão temporária) para que o governo do Paraná pare de conceder licenças e autorizações de desmatamento de Mata Atlântica no Estado até 31 de dezembro de 2018.
O Paraná aparece como o Estado que mais destruiu a vegetação de Mata Atlântica em 30 anos no Brasil, segundo levantamento da ONG e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com base em imagens de satélite. Foram 456.514 hectares desmatado, área que equivale aproximadamente a 11 cidades de Curitiba. Seguido de Minas Gerais, com 383.637 hectares, os dois Estados destruíram em três décadas o equivalente a 5,5 cidades de São Paulo.
No pedido encaminhado ao governador Beto Richa (PSDB), a entidade também solicita que seja realizada a revisão das demais licenças concedidas pelo governo estadual nos últimos 24 meses.
A moratória visa suspender por tempo determinado as licenças que provoquem desmate da mata nativa. "Com a moratória, o poder público não poderá emitir licença que resulte em desmatamento. Espero que o governo acate o pedido", afirma a diretora-executiva da SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota.
Nestas três décadas, a Mata Atlântica teve 1,887 milhões de hectares devastados, o que significa 12 vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Além do Paraná e Minas, lideram o ranking de desmatamento Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A última análise de imagens de satélite, entre 2014 e 2015, mostrou que o ritmo de desmate não diminuiu - Minas, Bahia, Piauí e Paraná lideram o ranking.
O mapeamento não inclui, nos anos iniciais, a série histórica de sete Estados -Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe - pela falta de imagens claras de satélite nos anos 90 e 2000.
Segundo dados de 2014, o Piauí é o Estado que possui maior porcentagem de bioma remanescente (35,4%). Pelos valores totais, MG tem a maior área relacionada ao bioma, 3.228.380 hectares, equivalente a 11,7% de vegetação remanescente. O PR aparece em quarto com 2.543.913 hectares, 13% de vegetação remanescente.
Procurado, o chefe da Casa Civil do governo paranaense, Valdir Rossoni, afirma que ainda não teve acesso ao requerimento e que somente irá se manifestar depois de analisar o documento.


