A família do metalúrgico Mário José Josino, morto no dia 7 de março na Favela Naval, em Diadema, será indenizada pelo governo paulista. A decisão foi anunciada sexta-feira em sentença do juiz Wanderley Sebastião Fernandes, da 6ª Vara da Fazenda Pública. A mulher do metalúrgico, Josélia, de 31 anos, e o filho do casal, Kleiton, de 9 anos, vão receber até 2031 uma pensão mensal de 5,12 salários mínimos - o equivalente, hoje, a R$ 614,40. Por danos morais, o Estado também terá de pagar à viúva indenização de três mil salários mínimos - R$ 360 mil em valores atuais.
A Justiça também decidiu que o governo terá de custear, com R$ 5 mil, a aquisição por parte da família de uma sepultura para o metalúrgico. No caso do pagamento da pensão, ele será retroativo: cobrado a partir da data da morte de Josino, em março. Em relação ao tópico que estabelece o valor de três mil salários mínimos, como ressarcimento por danos morais, o advogado da família, João Teodoro, afirmou que vai recorrer da sentença.
Ele alega que, em outra decisão da Justiça, analisando o caso da morte de Adriana Caringe, o valor fixado foi de cinco mil salários mínimos - hoje, R$ 600 mil. Em 1990, Adriana morreu em consequência de um tiro, depois que um assaltante foi atingido por um policial. ‘‘Nesse caso, ainda foi um acidente’’, observou Teodoro. ‘‘No episódio da morte do Josino, houve um assassinato’’.
O advogado, contudo, elogiou a rapidez com que a decisão foi tomada pela Justiça. ‘‘Esse processo estava disponível na Justiça havia apenas 15 dias’’, assinalou. O governo terá prazo de 30 dias para recorrer da sentença.
O metalúrgico, de 30 anos, estava sentado no banco traseiro de um Gol. Ele foi atingido por um tiro, que teria sido disparado por um integrante de um grupo de PMs. Eles fizeram um bloqueio na Favela Naval, cuja ação foi gravada por um cinegrafista amador e teve repercussão internacional.

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