''O vestibular indígena é uma tentativa de reconhecer o índio como uma população especial, que foi por muito tempo maltratada, massacrada pela sociedade dos brancos. E a presença dos indígenas na universidade é uma forma deles mostrarem a especificidade deles'', comenta Tarcísio Trindade, coordenador de ensino superior da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).
Marilene Bandeira concorda que a valorização do índio é fundamental e afirma que o vestibular indígena servirá de estímulo para gerações futuras. ''Os índios mais novos estão ficando interessados, porque estão vendo que tem gente da aldeia deles entrando na universidade. Isso lhes dá vontade de estudar. Mas eu acho que o vestibular indígena tinha que oferecer mais vagas'', diz Marilene, que conta que seu objetivo é dar aulas em alguma aldeia.
Para pleitear vaga nas universidades estaduais através do vestibular indígena, o índio deve residir em aldeia e comprovar que mora há dois anos ou mais no Paraná. Para concorrer às vagas na UFPR, o candidato não precisa morar em reserva e pode ser de qualquer parte do Brasil.
A respeito das críticas feitas pelas estudantes entrevistadas pela Folha, Paulo Langer, assessor da coordenação de ensino superior da Seti, afirma que a secretaria tem a intenção de aumentar a bolsa para R$ 300 mensais este ano.
''É uma previsão orçamentária. Não é o ideal, mas é o que pode ser feito. A Funai poderia complementar a renda dos estudantes indígenas das universidades estaduais, como já faz com os alunos índios da UFPR'', sugere Langer. ''Quanto às vagas por universidade estadual (três por instituição), este número está na lei de 2001. Só pode ser aumentado se houver alteração na lei''.
A direção da representação da Funai em Curitiba informou que preferia não se pronunciar a respeito do vestibular indígena, pois nas reservas de sua área de abrangência haveria apenas um índio estudando em universidade. Ao longo de quatro tardes, a reportagem telefonou várias vezes para a representação da Funai em Guarapuava, responsável pelo acompanhamento das aldeias onde residiam as universitárias indígenas entrevistadas pela Folha. Entretanto, em todas as oportunidades recebeu a informação de que o gerente da representação não estava e não havia como entrar em contato com ele.(F.G.)

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