Estado de São Paulo lidera ranking da tuberculose, com 18.378 casos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de julho de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 16 (AE) - O Estado de São Paulo lidera o ranking brasileiro de casos notificados de tuberculose em 1998. Segundo estatísticas parciais do Centro de Referência Hélio Fraga (CRHF)
do Ministério da Saúde, foram registrados 18.378 casos da doença no ano passado no Estado, com 1.500 mortes. Como em 1997, o Rio de Janeiro, que em números proporcionais está à frente de São Paulo, aparece subnotificado, com 10.650 casos. Estima-se que esse número possa chegar a 14 mil, com cerca de 1.300 óbitos. Em 1996 São Paulo registrou 17.609 casos, seguido do Rio
15.193.
Os dados preliminares das regiões Sudeste e Sul, que representam 60% dos casos do País, mostram que a doença mantém-se estável. No Sul, foram notificados 9.265 pessoas portadoras do bacilo do Koch (causador da doença) em 1998 contra 8.616, em 97. No Sudeste, houve uma queda , de 39.789 casos, registrados há dois anos, para 36.428, em 98.
"Temos que levar em consideração que as informações do Rio estão subestimadas; calculamos que o número real da região Sudeste seja de aproxidamente 40 mil infectados", afirmou o diretor do Hélio Fraga, Miguel Aiub Hijjar.
Combate - O levantamento completo da tuberculose, com o levantamento das cinco regiões brasileiras, estará pronto em setembro, mas as informações iniciais revelam que a doença ainda não está entre as prioridades do governo. Em 1996, segundo a Organização Mundial de Saúde, o Brasil era o quarto País do mundo em número de tuberculosos, com 85.860 notificações, atrás da Índia, China e Filipinas. Atualmente, a estimativa é de que 90 mil novos casos sejam registrados ao ano no País, com 6 mil mortes.
"Dezesseis brasileiros são infectados por dia", disse o médico Hijjar. Apesar dos números, o orçamento federal deste ano para o controle e o combate à doença é de apenas R$ 36 milhões, dos quais R$ 14 milhões, destinados à compra de medicamentos. A aids, que produz anualmente a metade dos óbitos da tuberculose no Brasil, tem orçamento previsto de R$ 500 milhões.
Hijjar ressaltou, no entanto, que a intenção do Ministério da Saúde é integrar as ações de Estados, municípios e União no combate à doença, prevista no Plano Nacional de Controle da Tuberculose (PCT), lançado em outubro de 98. "A idéia é de que, até o fim do ano, já possamos estar com uma rede de 5 mil unidades públicas de saúde integradas em todo o País", disse.
Plano nacional - O PCT prevê a criação de um sistema nacional de informação sobre a tuberculose; ampliação do exame-diagnóstico (o exame de escarro), de 300 mil pacientes/ano para 1,5 milhão de pacientes/ano; e, principalmente, o tratamento supervisionado. Atualmente 14% das pessoas infectadas abandonam os medicamentos, geralmente no segundo mês de tratamento, quando os sintomas da doença desaparecem. Com a desistência, o bacilo de Koch torna-se mais resistente, dificultando a cura e aumentando o poder de disseminação da bactéria.
Segundo Hijjar o doente deve ir uma vez por mês ao centro de saúde durante os seis meses de tratamento. "A proposta do PCT é fazer com que o paciente vá ao posto médico pelo menos três vezes durante os dois primeiros meses, e uma vez por semana dos quatro meses seguintes", explicou. "Muitos abandonam o tratamento por falta de dinheiro para locomoção até o centro de saúde, por isso, nesses casos, o agente de saúde deverá ir à casa do paciente."


