Miami, 18 (AE-DOW JONES) - O Estado brasileiro de Goiás iniciou hoje (18) um processo judicial no tribunal do Condado de Dade, em Miami (Flórida), contra 20 indústrias norte-americanas de cigarros, exigindo indenizações que podem chegar a bilhões de dólares em nome de fumantes com problemas de saúde causados por tabagismo. A acusação alega que as indústrias esconderam dos consumidores os perigos do tabagismo e a natureza viciante da nicotina.
O principal advogado norte-americano de Goiás, Steven C. Marks, disse que suas reuniões com representantes da Philip Morris foram "um fracasso miserável e eles nos deixaram alternativa a não ser proceder com a ação". Ele afirmou que representa outros Estados brasileiros, entre eles Mato Grosso, mas eles ainda não moveram ações semelhantes.
Marks também representa o governo da Venezuela, que abriu processo com o mesmo objetivo em janeiro deste ano. Em julho, o Estado do Rio de Janeiro entrou com uma ação contra a indústria norte-americana de cigarros num tribunal no Texas. Outros países que já iniciaram processos semelhantes são Guatemala, Bolívia, Panamá e Nicarágua.
O advogado-geral associado da Philip Morris, Timothy Lindon, disse que não faria comentários sobre a ação movida por Goiás porque a empresa ainda não havia recebido a notificação oficial. "Se essa é uma nova versão do processo aberto pelo Rio de Janeiro, então eu diria que ela ignora muitas decisões específicas tomadas nos últimos dois anos pelos tribunais de recursos", afirmou.
Essas decisões, acrescentou Lindon, implicam que processos em nome de terceiras partes devem ser arquivados por causa do caráter remoto dos beneficiários ou por falta de dado direto. Outro dos advogados de Goiás, Alan Glueck, disse que o processo foi aberto em Miami por que ela é considerada o "portão" da América Latina para os EUA. Em novembro passado, as indústrias de tabaco dos EUA fizeram um acordo fora dos tribunais com 46 Estados norte-americanos, aceitando pagar US$ 206 bilhões ao longo de 25 anos para compensar por despesas dos sistemas estaduais de saúde. Elas já haviam concordado em pagar cerca de US$ 40 bilhões, ao longo de 25 anos, a outros quatro Estados norte-americanos.

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