Desde a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, em 1992, quando se aprovou a Agenda 21, um novo padrão de desenvolvimento começou a ser projetado para o mundo. A Agenda 21 é um conjunto de compromissos que a humanidade deverá obedecer se quiser sair do atual estado de insustentabilidade. Nesse novo modelo deve prevalecer o equilíbrio ambiental e igualdade social.

Os níveis de desigualdade alcançaram patamares preocupantes. É preciso rever o atual modelo de desenvolvimento econômico, já falido e ultrapassado, e redirecionar os esforços em direção de uma economia sustentável e capaz de reduzir as desigualdades sociais. No Brasil sempre prevaleceu o modelo concentrador, seja de renda, de poder político, social e econômico. E a desigualdade vem se reproduzindo ao longo da história.

Os índios, por exemplo, que já foram a grande maioria da população brasileira, hoje estão reduzidos a 0,2% dos habitantes do país. Eles que já foram donos dessas terras, atualmente estão cercados dentro de apenas 12% do território nacional. Outros segmentos também ficam, de formas diferentes, expostos a imposições discriminatórias do atual processo econômico e social.

Mas, o que está comprovada é a degradação da atual concepção de desenvolvimento que persegue, durante anos, a industrialização como única solução. Isso contribuiu para a alucinante urbanização do País. O mesmo ocorreu no Paraná.

Curitiba e a Região Metropolitana alcançaram índices de ocupação populacional que bateram recordes nacionais. Mas, a migração do campo para cidade criou diversos problemas. Um deles foi a incapacidade do setor industrial de absorver toda a mão-de-obra que desembarcou na cidade. Os desempregados se dirigiram às periferias dando origem a desumanos cinturões de pobreza e miséria nos grandes centros urbanos.

No Paraná, segundo dados do Dieese, em 1999, 79% das famílias tinham rendimento mensal abaixo dos 10 salários mínimos, e apenas 16% das famílias detinham mais de 10 salários mínimos. Mais de 300 mil famílias, 12% do total, estavam abaixo de um salário mínimo, ou não tinham qualquer rendimento.

Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores no Paraná (CUT), Roberto Von Der Osten, ''temos que pensar num modelo que saia dessa lógica. Um modelo que trate da Reforma Agrária. Uma política de geração de emprego e renda que tenha como uma de suas prioridades o crédito para a agricultura familiar. É preciso manter as famílias que estão no campo e nas pequenas cidades. Não adianta construir grandes centros, senão as grandes cidades continuarão inchando e as pequenas irão diminuindo. É urgente inverter uma série de lógicas construídas na economia do Paraná''.

O modelo neoliberal, que tem o lucro como medida única, descarta tudo aquilo que entende como obstáculo a seus objetivos. Isso é o que se chama em teoria econômica de Racionalidade Econômica. É um padrão onde o lucro se sobrepõe a todos os aspectos da existência humana. Assim, o raciocínio disseminado entre as pessoas é aquele onde o importante é a eficácia, eficiência, o lucro, o ganho.

Na opinião do presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil, departamento do Paraná, Roberto Sampaio, este modelo ''é insustentável porque é excludente, na medida que visa apenas o lucro e despreza todos os aspectos sociais e ambientais do processo. Não importa se, para o lucro acontecer, a natureza seja destruída e camadas sociais sejam exploradas. As empresas que se norteiam por esses princípios estão constantemente demitindo funcionários, terceirizando serviços, com o único objetivo de reduzir custos e aumentar lucros. Mas, o fato é que esses processos reduzem a capacidade de controle sobre as situações e resultam em acidentes ambientais de grandes proporções''.

Uma das medidas que dão resultados significativos é a educação ambiental que, segundo Sampaio, ''através dos conceitos da sustentabilidade, transforma as pessoas em agentes da melhora, em vez de agentes do estrago''. Outro aspecto que deve ser trabalhado de imediato ''é a luta absoluta pela melhor distribuição de renda, porque sabemos que a pobreza, pela deseducação que traz consigo, se torna num dos grandes elementos de degradação da natureza'', explicou.

O presidente da CUT insiste que o governo do Paraná deve dar mais condições para que as pessoas possam continuar trabalhando no campo. ''Além disso, é necessário disponibilizar crédito para os pequenos e micros empresários. Porque eles geram emprego. E, hoje, não tem como obter crédito, porque exigem deles aval e bens para colocar em garantia. Mas, os grandes que vem de fora, além dos créditos milionários que recebem, podem lucrar aqui e ir embora quando quiserem''.

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