Estado de choque marca velórios
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domingo, 04 de agosto de 2013
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Londrina - Centenas de pessoas se aglomeravam durante a tarde de ontem no terreiro de candomblé Ilê Axé Ogun Mege, em Cambé, perplexas com a tragédia ocorrida na noite anterior, que vitimou três mulheres da mesma família. Chocados com a brutalidade na morte de dona Vilma, sua mãe Allial e a neta Olívia, familiares, amigos, vizinhos e lideranças de vários movimentos da cidade tentavam confortar uns aos outros, enquanto aguardavam a chegada dos corpos.
Com a morte de Vilma, mãe de santo do terreiro, Maria de Fátima Beraldo, trabalhadora da casa e ex-gestora da Promoção de Políticas de Igualdade Racial, em Londrina, ficará responsável pelas atividades do local, que vão além dos encontros religiosos. "Aqui funcionam uma série de projetos de cunho socioeducativo de matriz afro-brasileira. Precisamos dar continuidade a todo esse trabalho que dona Vilma iniciou de resgate a história da cultura negra e seus valores", resumiu.
Para um dos representantes do Movimento Negro em Londrina, Joaquim Braga, a perda de dona Vima não é individual, mas, principalmente coletiva. "Dona Vilma era uma das figuras mais importantes no cenário religioso, social e político sobre a cultura africana. Aprendi muito com ela nos trabalhos para difundir a questão afro por meio da música", comentou o ativista, que também é cantor.
Toda a comunidade no entorno do Ilê conhecia o trabalho de dona Vilma como mãe de santo e sua atuação no movimento negro. Sentada com as vizinhas na calçada, Amélia Oliveira dos Santos, de 63 anos, lamentava a morte de sua "mãe". "Não sou do candomblé, mas sempre acompanhei os passos dela aqui no bairro. Uma mulher que todo mundo chamava de mãe. Ela só tinha amor no coração", comentou a senhora.
De acordo com a tradição no candomblé, pessoas "iniciadas" na religião, passam por um ritual de passagem fúnebre após sua morte. Para tanto, vários líderes de outros terreiros estavam presentes para auxiliar no ritual, que seria conduzido pela mãe de santo na hierarquia de Londrina, Iá Katulê. Esse momento seria realizado logo após a chegada dos corpos de dona Vilma e sua mãe, apenas por pessoas autorizadas, que inclui oferenda aos orixás e cânticos. Por sua vez, as atividades religiosas do local ficam suspensas por um ano até que uma nova pessoa responsável seja designada, seguindo os preceitos da religião.
Muito abalados, filhos, incluindo a mãe da menina assassinada, e familiares preferiram não se pronunciar sobre a fatalidade. O sepultamento das três mulheres da mesma família ocorre hoje, às 9 horas, no cemitério Jardim da Saudade (zona Norte). Já o corpo de Ariadne Benck dos Anjos, 48 anos, foi velado ontem na Igreja Batista do Jardim Bandeirantes, zona oeste de Londrina, em meio a muita revolta. Parentes e amigos estavam transtornados com a tragédia e não quiseram se pronunciar à FOLHA. O corpo dela foi enterrado no Cemitério Jardim da Saudade.


