Goma - A cidade de Goma, no leste da República Democrática do Congo, devastada pela erupção do vulcão Nyiragongo, oferecia ontem um espetáculo de desolação a seus habitantes, que voltaram em massa para constatar os danos.
O rio de lava que atravessou a cidade de leste a oeste formou um muro negro de quase dois metros de altura, ainda em brasas. Quarenta e cinco pessoas morreram e centenas ficaram desabrigadas.
A erupção ainda não terminou, advertiu Dieudonné Waffula, diretor do Centro de Vulcanologia de Goma. ‘‘A situação não está totalmente estabilizada. Existem ainda movimentos de lava no centro do rio e, por isso, uma pressão a nível da zona de erupção, nos flancos do vulcão’’, afirmou.
O especialista teme também outro perigo potencial: o lago Kivu contém imensas reservas de gás metano e a lava que se verte em suas águas poderá provocar importantes emanações. O rio arrastou ou queimou tudo em sua passagem e quatro bairros foram parcialmente destruídos.
Entre os edifícios destruídos figuram escritórios de várias organizações humanitárias, Oxfam, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR), e o Grupo Congolês pela Democracia (RCD), o movimento rebelde que controla o leste do país. Várias lojas foram saqueadas.
Os habitantes que se refugiaram durante a noite na vizinha cidade ruandesa de Gisenyi não escondiam seu desespero ao voltar para casa e constatar tanta destruição.

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