Estado de alerta e desolação em Goma
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de janeiro de 2002
Hervé Bar - France Presse 
Goma - A cidade de Goma, no leste da República Democrática do Congo, devastada pela erupção do vulcão Nyiragongo, oferecia ontem um espetáculo de desolação a seus habitantes, que voltaram em massa para constatar os danos.
O rio de lava que atravessou a cidade de leste a oeste formou um muro negro de quase dois metros de altura, ainda em brasas. Quarenta e cinco pessoas morreram e centenas ficaram desabrigadas.
A erupção ainda não terminou, advertiu Dieudonné Waffula, diretor do Centro de Vulcanologia de Goma. A situação não está totalmente estabilizada. Existem ainda movimentos de lava no centro do rio e, por isso, uma pressão a nível da zona de erupção, nos flancos do vulcão, afirmou.
O especialista teme também outro perigo potencial: o lago Kivu contém imensas reservas de gás metano e a lava que se verte em suas águas poderá provocar importantes emanações. O rio arrastou ou queimou tudo em sua passagem e quatro bairros foram parcialmente destruídos.
Entre os edifícios destruídos figuram escritórios de várias organizações humanitárias, Oxfam, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR), e o Grupo Congolês pela Democracia (RCD), o movimento rebelde que controla o leste do país. Várias lojas foram saqueadas.
Os habitantes que se refugiaram durante a noite na vizinha cidade ruandesa de Gisenyi não escondiam seu desespero ao voltar para casa e constatar tanta destruição.


