Rio de Janeiro - A Secretaria de Segurança Pública informou na manhã de ontem que o secretário Roberto Aguiar discutiu com o cônsul-geral dos Estados Unidos no Rio, Mark Boulware, a possibilidade de transferir o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, para os EUA, onde ele responde a inquéritos por tráfico internacional de drogas e armas.
A informação foi divulgada de manhã pela assessoria de imprensa da secretaria, logo após a reunião. À tarde, por ordem de Aguiar, que pretendia manter o tema da conversa em sigilo, a assessoria apresentou um desmentido. O tema do encontro teria sido a cooperação técnica da polícia americana com as forças de segurança do Rio.
A assessoria do consulado dos EUA também negou a informação de que a transferência de Beira-Mar foi tratada no encontro entre Aguiar e Boulware.
Segundo a reportagem apurou, Aguiar defendeu no encontro a ida de Beira-Mar aos EUA para depor nos processos em que é réu, só voltando ao Brasil depois que um presídio federal fosse construído no Rio.
O advogado de Beira-Mar, Lydio da Hora, afirmou que a proposta do secretário ''rasga a Constituição''.
''A Carta Constitucional não permite a extradição de nacionais para outro país. O secretário (Roberto Aguiar) não entende nada de direito penal'', disse ele.
Especialistas ouvidos criticaram a possível transferência. Para o ex-secretário nacional Antidrogas, Walter Maierovicth, além de ferir a Constituição, a medida representaria um atestado internacional de falência do sistema penitenciário brasileiro.
O advogado criminalista Nereu Lima lembrou que na Constituição não prevê a pena de banimento (expulsão da pátria).
''Temos que criar mecanismos de segurança para que essas pessoas fiquem isoladas, mas dentro dos presídios'', disse.

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