Estado chileno tomará parte em ação contra Pinochet8/Mar, 17:16 Santiago, 08 (AE-AP) - O Estado chileno tomará parte, pela primeira vez, de uma ação contra Augusto Pinochet. O Conselho de Defesa do Estado, organismo que atua como promotoria federal, decidiu na terça-feira à noite participar do processo movido na Justiça chilena contra o ex-ditador, que retornou ao Chile na sexta- feira, depois de passar 503 dias em prisão domiciliar em Londres. O plenário da Corte de Apelações de Santiago deve decidir nos próximos dias se há ou não base legal para cassar a imunidade parlamentar de Pinochet para que ele possa ser julgado no país. De acordo com o jornal chileno La Tercera, existe a possibilidade de a sessão da corte, que não tem data marcada para realizar-se, seja transmitida pela TV. O ex-ditador tem direito à imunidade por ocupar o cargo de senador vitalício. Adversários de Pinochet estimam que o ingresso do Estado na questão reforça a tese da acusação. Rompendo o silêncio que vinha mantendo sobre o tema, o presidente chileno, Eduardo Frei - que sábado entrega o poder ao seu sucessor, Ricardo Lagos -, pediu aos chilenos que ignorem possíveis provocações e afirmou que a recepção solene organizada pelos chefes militares a Pinochet prejudicou o diálogo entre militares e ativistas de direitos humanos, que se vinha realizando há seis meses. Por seu lado, o filho mais jovem de Pinochet, Marco Antonio, declarou ter sido "um grande erro do regime" ter ocultado os cadáveres dos executados nos primeiros meses após o golpe de 1973. "Acredito que foi um erro do regime de meu pai não ter entregue os corpos das pessoas quando houve execuções. Eu não vivi a situação, mas esse foi o primeiro erro. Se tivessem entregue os corpos teria se evitado a dor de tanta gente que buscava o corpo das pessoas", disse Marco Pinochet. "Não entendo qual foi o propósito de se esconder um cadáver. Para mim, houve um erro colossal", acrescentou Marco, que na época do golpe de Estado de seu pai, em 1973, tinha 15 anos.