São José dos Campos, SP, 29 (AE) - O ministro de Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, assinou hoje o primeiro contrato da Estação Espacial Internacional (EEI) com uma companhia nacional. A Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) fará o planejamento e a capacitação preliminar de 15 empresas do setor aeroespacial que estarão envolvidas na produção das partes sob responsabilildade do País no programa. Foram destinados a essa primeira etapa US$ 15,3 milhões, vindos da agência ministerial Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
A Embraer terá oito meses para qualificar as empresas envolvidas na produção industrial das peças brasileiras da EEI. As atividades de fabricação devem ter início no segundo semestre de 2000 e a ex-estatal e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) estarão detalhando o novo cronograma de atividades da estação com a Administração Nacional de Atmosfera e Espaço (Nasa), dos Estados Unidos. "O atraso que tivemos não afetou o cronograma final da estação", explicou o ministro Sardenberg.
A assinatura do contrato reuniu as direções do Inpe e da Embraer na sede do instituto, em São José dos Campos. Acompanhado do presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Luiz Gylvan Meira Filho, o ministro reafirmou que as atividades espaciais do País estão entre as prioridades do governo federal e que todo o programa será revisado nos próximos meses. O ministério já liberou cerca de US$ 20 milhões para o projeto da EEI. A estimativa de gasto pelo lado brasileiro é de US$ 120 milhões.
Para garantir que o Brasil cumprirá sua parte no programa espacial, tido como o mais ousado projeto da história da humanidade, Sardenberg firmou na cerimônia um convênio entre o Inpe e a Finep, para garantir o repasse dos recursos para a estação internacional. As dívidas acumuladas junto à Boeing fizeram que a empresa praticamente abandonasse o projeto. Mas o débito de US$ 17 milhões já foi quitado neste mês e as atividades retomadas.
Segundo o presidente do Embraer, Maurício Botelho, a empresa não tem planos para diversificar suas atividades fabris e ingressar no mercado espacial. Segundo ele, nada neste sentido foi conversado com o grupo francês, que são os novos acionistas da companhia, reunindo a Aeroespatiale, Matra, Dassault entre outras. "Esse é o nosso primeiro contrato nesta área e não sei dizer se esse mercado é interessante para nós", afirmou Botelho.

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