Londrina – A Polícia Civil e o Conselho Tutelar de Joaquim Távora (Norte Pioneiro) estão investigando as causas do incêndio que destruiu no final da tarde de terça-feira a estação ferroviária da cidade, inaugurada em 1924 e tombada pelo Patrimônio Histórico Estadual. Há suspeitas de que dois garotos de 10 anos teriam provocado o incêndio quando brincavam com uma fogueira. Ninguém se feriu.
De acordo com o tenente Jefferson Gregório, comandante do Corpo de Bombeiros de Santo Antônio da Platina, quando a equipe chegou ao local, pouco podia ser feito. "Fizemos apenas o rescaldo para evitar que as chamas se alastrassem, mas o prédio já está praticamente todo destruído", afirmou. "O fogo se propagou muito rápido porque o prédio era de madeira. Como tivemos que nos deslocar 30 quilômetros, havia poucas chances de salvá-lo." O prédio de 250 metros quadrados estava desativado havia décadas. Neste período, abrigou famílias de sem-teto e um depósito de materiais reciclável.
A conselheira tutelar Anice Carneiro confirmou que crianças foram ouvidas ontem por suspeita de participação no incidente. Ela, contudo, não quis adiantar o conteúdo dos depoimentos. O delegado Rubens José Perez disse que a polícia aguarda a investigação do Conselho Tutelar para determinar a causa do incêndio. Segundo ele, por ser patrimônio da União, o caso será informado à Polícia Federal, que deve enviar peritos à cidade para elaborar um laudo.
A estação desativada aguardava uma obra de restauração determinada por um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público Federal, a Secretaria Estadual de Cultura e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)com a concessionária América Latina Logística (ALL) em maio de 2011.
No TAC, a concessionária – condenada pela Justiça por não fazer a manutenção de prédios da antiga Rede Ferroviária Federal - se comprometia a restaurar seis estações no Norte Pioneiro (além de Joaquim Távora, duas em Jacarezinho – a da sede e a do distrito de Marques dos Reis, e em Santo Antônio da Platina, Andirá e Bandeirantes). A restauração, no entanto, nunca foi iniciada. A última prorrogação de prazo para a entrega das restaurações ocorreu em novembro e estabelecida agosto como data-limite.
O procurador da República Gustavo de Carvalho Guadanhin disse que vai aguardar o levantamento dos danos para responsabilizar eventuais culpados. "Também vamos aguardar as vistorias da Secretaria Estadual de Saúde e do Iphan para avaliar o prejuízo ao patrimônio histórico. O incidente vai ser incluído no inquérito civil do Ministério Público Federal que acompanha o cumprimento do TAC."
O superintendente do Iphan no Paraná, José La Pastina Filho, considerou que a destruição do prédio "é uma perda lastimável para a cultura do Paraná". Ele disse que, conforme a extensão dos danos, a restauração pode ter ficado comprometida. "É raro o patrimônio histórico considerar a possibilidade de uma reconstituição de prédio. Por vezes, a perda de valor histórico é irreversível, mas há exceções", afirmou.
A coordenadora de Patrimônio Histórico da Secretaria de Cultura, Rosina Parchem, informou, por meio da assessoria, que o tema da restauração ou reconstituição será tratado por todos os envolvidos no TAC logo após a apuração das causas do incêndio.
Em nota, a assessoria da ALL afirmou que "o processo de recuperação das estações segue dentro do prazo do acordo firmado junto ao Ministério Público Federal". A nota prossegue: "Quanto ao incêndio que atingiu a estação de Joaquim Távora, a empresa esclarece que enviou uma equipe técnica ao local para avaliar os danos causados pelo incêndio, que está sob investigação, e aguardará instruções do Ministério Público sobre como proceder para a recuperação do local".

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