Estabelecer contato para entender além da doença
O Instituto da Criança do Hospital das Clínicas (HC-SP) tornou-se modelo no País em assistência diferenciada às crianças. ''Além da criança, é preciso ver toda família e estabelecer uma relação que ajude entender além da doença'', defende Sandra Grisi, médica pediatra do Instituto. O HC foi o primeiro hospital a receber um grupo que aprontava palhaçadas. Isso foi há dez anos. ''Enxergaram que nosso trabalho tinha fundamento e ajudava no processo de recuperação'', conta Wellington Nogueira, fundador e ator do ''Doutores da Alegria''.
No País existem cerca de 140 grupos semelhantes inspirados no Doutores. ''Quando começamos, eu tinha medo que virasse moda, o exagero na exposição levasse à banalização e tudo acabasse logo. Hoje eu vejo que é um caminho sem volta.'' O trabalho do Doutores não é voluntário, o grupo trabalha com patrocínio e investe na formação dos artistas que têm acompanhamento psicológico. ''Temos de estar preparados para qualquer eventualidade. Já fomos chamados para acompanhar uma criança nas suas últimas horas de vida. É penoso, mas a fantasia do palhaço nos segura para levarmos adiante nossa missão. Difícil é quando retiramos a maquiagem'', releva Nogueira.
Os projetos de humanização do HC procuram trazer as famílias para compartilharem da rotina do hospital. Eles próprios recebem outras famílias que estão chegando. ''A importância do Doutores é a comunicação estabelecida com a criança, na linguagem delas, o caminho está aberto para expressarem seus sentimentos, a melhor parte no processo da humanização.'' (L.R.)





