Rio - Para cada jovem europeu entre 15 e 24 anos que morre por homicídio, 200 cariocas são vítimas de igual crime. Este é um dos resultados do levantamento feito pelo sociológo argentino Jacobo Waiselfisz, autor do livro ‘‘Mapa da Violência III: os Jovens do Brasil’’, que está sendo lançado no País. Coordenador do escritório regional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em Pernambuco, o sociológo faz em seu trabalho o seguinte alerta: ‘‘está mais perigoso viver no Rio que na Palestina’’, onde o conflito religioso, segundo a imprensa internacional, já deixou centenas de mortos.
De acordo com o levantamento, em 2000, morreram 107,6 jovens em cada 100 mil habitantes no Rio. Na faixa de 19 anos, naquele mesmo ano, morreram 61,9 pessoas em cada 100 mil habitantes, o que garantiu ao Estado o 4º lugar no ranking de violência nessa idade. Pelo mapeamento, entre 75% e 80% dos homicídios entre os jovens ocorrem na Região Metropolitana. Nos fins de semana esse índice aumenta em 80%, sobretudo nas áreas de baixo poder aquisitivo.
Na análise do sociólogo, esse quadro reflete a má qualidade de vida dos jovens de baixa renda, que não têm opção de lazer. ‘‘É preciso haver uma política que reduza o tempo de ócio desses jovens, como por exemplo, abrir as escolas nos finais de semana, para a oferta de atividades como esporte e cultura’’, assinala.
O sociólogo explica que seu levantamento considerou os últimos 10 anos. Nesse cenário, disse, a violência no Rio cresceu de 39,6 mortos por em cada 100 mil habitantes, em 1991, para 62,2, em 1995. Desde então, apontou substancial queda. Essa involução, porém, não é motivo para comemorar porque chegou em 2000 a uma taxa de 50,9 mortes para cada 100 mil habitantes. Com esta marca, o Estado figura no ranking como o segundo maior do País em taxa de homicídios, perdendo apenas para o Espírito Santo e São Paulo, com 42,2. ‘‘Se o Rio fosse um país teria o dobro de taxa de homicídios em relação à Colômbia’’, frisa.
O pior, assinala o sociólogo, é que criou a cultura da banalização da violência. Há algum tempo, lembra, a violência tinha ‘‘nome e sobrenome’’, ou seja, sabia-se onde e a que horas era mais perigoso.
‘‘Agora ela está em todo canto. Tanto na classe média quanto na classe baixa. Na favela ou nas boates da zona sul’’, arremata.

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